37 é febre? Entenda e previna as doenças respiratórias!

a partir de quanto é febre

Estamos vivendo uma pandemia, a COVID-19, causada por um novo coronavirus (SARS-Cov2) que está deixando o mundo todo em alerta. Nesse contexto, surgem muitas perguntas sobre vírus, sintomas, tratamentos, vacinas etc. Como a febre é um dos principais sintomas do vírus (e da maioria das doenças respiratórias), vamos esclarecer algumas dúvidas sobre o tema: 37 é febre? Febre alta é perigosa? Existe mesmo febre interna? Quando é hora de ir ao médico? Entenda essas e outras questões sobre o tema.

O que é febre?

A febre é uma resposta natural do corpo para combater invasores (vírus, infecções, parasitas, bactérias, etc). Apesar de ser um sinal de que algo em nosso organismo não vai bem, ela é na verdade, uma grande aliada do nosso sistema imunológico, pois quando ela serve de alerta para o nosso imunológico começar a combater o agente infeccioso. Esse quadro infeccioso pode ser leve ou grave, dependendo da agressividade do micro-organismo e da imunidade do paciente. ¹

37 é febre?

A temperatura normal do nosso corpo varia entre 36 e 37 graus. Geralmente, ela é mais baixa pela manhã e mais alta no fim da tarde ou à noite. Por isso, alterações de até um grau são aceitáveis em condições normais. Nas mulheres, por exemplo, ocorre um aumento da temperatura após a ovulação, e também no primeiro trimestre da gravidez.

Por outro lado, em bebês com menos de 3 meses de vida, é preciso prestar mais atenção em relação ao aumento da temperatura,  por isso, se o termômetro mostrar valor acima de 37,5 graus, já é hora de procurar um médico. 2,3

De modo geral, os infectologistas estabelecem os seguintes limites para caracterizar a febre em adultos e crianças acima de 1 ano:

  • Normal: entre 36,0º C e 37,0 º C
  • Estado febril: entre 37,3º C e 37,8º C
  • Febre: acima 37,8º C
  • Febre alta: entre 39º e 39,9º C
  • Hipertermia: a partir de 40º C

37 é febre?

Quando se preocupar com a febre

A febre se torna preocupante quando a temperatura passa de 39 graus, podendo indicar uma infecção grave. Outros sintomas também servem de alerta, e indicam a necessidade de procurar atendimento médico, entre eles podemos citar:

  • Dor de cabeça forte e persistente;
  • Alta sensibilidade à luz;
  • Dor de garganta que impede o ato de engolir;
  • Vermelhidão na pele;
  • Nuca endurecida e dolorosa ao curvar a cabeça;
  • Confusão mental;
  • Vômitos repetitivos;
  • Dificuldade para respirar ou dor no peito;
  • Irritabilidade, apatia ou sonolência exageradas;
  • Dores abdominais;
  • Dor ao urinar ou vontade frequente de ir banheiro, e urina em pequena quantidade.

Convulsões febris

Temperaturas elevadas podem causar confusão mental, delírios e convulsões. Quando a febre é muito alta, existe o risco de convulsões febris, especialmente em crianças abaixo dos 5 anos. Mas isso não costuma acontecer quando a febre está perto de 37 graus. Embora uma convulsão possa ser bastante assustadora, as convulsões febris não costumam trazer complicações sérias.

Normalmente os abalos tem duração inferior a 15 minutos e acometem os lados do corpo de forma generalizada. A gravidade é maior se as crises durarem mais de 15 minutos e ocorrerem em um lado do corpo ou voltarem a acontecer em menos de 24 horas.

No entanto, é muito importante ter certeza que a convulsão aconteceu no momento de febre, pois uma crise febril deve ser diferenciada de uma convulsão sem febre. Esta dúvida não deve existir, já que uma convulsão sem febre pode indicar um problema neurológico.

No caso de uma convulsão (com ou sem febre), mantenha a calma, deixe a pessoa deitada de lado para que não se afogue com a própria saliva ou vômito. Procure observar a duração e características da crise para informar para o médico. Também é importante protegê-la de se chocar contra qualquer móvel ou objeto que esteja por perto.

Não devemos tentar baixar a febre no momento da crise! Tentar dar remédio para febre pela boca durante a convulsão pode piorar a situação, causar engasgo ou aspiração, levando a complicações, como por exemplo uma pneumonia por aspiração.

Enrolar a língua é mito

Também é importante lembrar que não existe risco da pessoa engolir ou enrolar a língua. Colocar as mãos dentro da boca da pessoa em crise é errado, pois pode prejudicar a sua respiração e agravar o quadro, além de oferecer risco ao próprio cuidador, que pode ser gravemente ferido.

As convulsões causadas por febre, costumam durar pouco tempo (até 10 minutos), por isso mantenha a calma e dirija a pessoa ao hospital, logo depois que a crise passar. 4

Febre e doenças respiratórias

O que é febre interna?

Febre interna não existe, esse termo surgiu para descrever um mal-estar semelhante ao de uma febre comum. A pessoa sente o corpo muito quente, mas o termômetro não mostra essa elevação da temperatura. Se o termômetro continua nos 36 a 37 graus, não é febre.

Numa febre comum, a temperatura fica acima de 37,5 graus, e é acompanhada de outros sintomas como, por exemplo:

  • Sensação de calor
  • Suor frio
  • Calafrios ou arrepios ao longo do dia
  • Mal-estar
  • Dor de cabeça
  • Cansaço
  • Falta de energia

O que as pessoas chamam de febre interna, é a percepção de todos esses sintomas, mas sem o aumento da temperatura, que pode ser causada por stress e as crises de ansiedade, que também podem causar arrepios e tremedeira em todo corpo.

Doenças respiratórias que causam febre

Como vimos, a febre não é uma doença, mas um sintoma que aparece em diferentes tipos de doenças e infecções, entre eles, os problemas respiratórios. Por isso vamos listar a seguir algumas doenças do sistema respiratório, e quais são as formas de tratamento e prevenção.

Coronavírus

Vamos começar falando da doença que está assustando o mundo. O coronavírus é uma família de vírus conhecida desde a década de 60, que causam infecções respiratórias. Ganhou esse nome porque quando observado em microscópio, o vírus parece ter uma coroa. A nova mutação do vírus foi descoberta em 2019, após os primeiros casos registrados na China.  E foi por isso esse novo tipo de coronavírus ganhou o nome de SARS Cov 2 para ser diferenciado de uma outra epidemia (SARS) causada por outro coronavirus , que aconteceu na China  entre 2002 e 2003.

As pessoas infectadas pelo novo coronavírus tem sintomas muito parecidos com uma gripe. No entanto, em pessoas idosas e que sofrem de outras doenças, as complicações podem ser mais sérias. Nessas situações, pode ocorrer complicações como a síndrome respiratória aguda grave, que em casos extremos, pode levar a morte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os sintomas mais comuns do novo coronavírus (COVID-19) são: coriza, febre, tosse e dificuldade de respirar. De acordo com a entidade, alguns pacientes também podem apresentar dores no corpo, congestão nasal, coriza, dor de garganta e diarreia. Esses sintomas, geralmente, são leves em mais de 80% dos casos. As restantes apresentam sintomas mais graves, mas, cerca 96% são curadas.

Medicamentos

O uso de medicamentos que melhoram os sintomas da gripe podem ser administrados, mas produtos com ibuprofeno devem ser evitados. Ainda não temos estudos suficientes que comprovem que o ibuprofeno aumenta a mortalidade em pessoas com coronavírus, mas mesmo assim é melhor evitar.

Quando procurar atendimento médico por causa do coronavírus

Se você não está com sintomas graves e nem faz parte dos grupos de risco, a melhor forma de lidar com sintomas é repousar e manter-se isolado. O hospital só deve ser procurado pelas pessoas que apresentem sintomas graves como dificuldade para respirar e falta de ar.

Em entrevista coletiva para atualizar a situação da pandemia no país,concedida em 19 de março, a equipe do Ministério da Saúde voltou a enfatizar que pessoas com sintomas sem complicações não devem sobrecarregar o sistema de saúde.

A preocupação é de que haja sobrecarga nas unidades de saúde por conta de uma doença cujos sintomas são genéricos e semelhantes àqueles provocados por outros vírus que já circulavam no país. Além disso, uma pessoa sem o coronavírus pode acabar se infectando, se deslocando até os postos de saúde e hospitais onde pessoas infectadas estejam buscando atendimento. 6,7

coronavírus da febre

Onde procurar orientação sobre o COVID-19

Conversamos com a Liliane Ocalxuk, CRP número 08/15210, psicóloga que trabalha no Ministério da Saúde, atuando no departamento nacional de auditoria do SUS: “a orientação é que as pessoas com sintomas leves procurem ligar no serviço de saúde do seu município para informar a ocorrência deles e receber a orientação adequada. Para descobrir como seu município está lidando com casos suspeitos, a pessoa pode usar o aplicativo do Ministério da Saúde que identifica a localização e mostra a unidade de saúde mais próxima. Novamente, não é preciso ir até o local, basta ligar e seguir as recomendações dadas pelo agente”

Baixe o app do ministério da Saúde nos seguintes links: Android e IOS.

Liliane também alerta quanto aos pacientes em grupo de risco “É importante que essas pessoas informem ao município assim que perceberem os primeiros sintomas, para que possam ser orientadas sobre como proceder e se necessário, se submeter ao teste de maneira mais segura possível”.

Os pacientes que devem seguir essas recomendações incluem:

  • Idosos (pessoas com sessenta anos ou mais)
  • Pacientes imunodeficientes
  • Pessoas com doenças preexistentes crônicas ou graves, como cardiovasculares (como por exemplo hipertensão), metabólicas (como a diabetes), e respiratórias como asma e bronquite.
  • Gestantes e lactantes

Como já comentamos, outras doenças respiratórias causam sintomas parecidos com o coronavírus, incluindo a febre, além disso, pessoas com esses problemas estão nos grupos de risco para COVID-19. Por isso, vamos falar um pouco mais sobre essas doenças a seguir. Confira:

Bronquite

A bronquite é a inflamação dos brônquios, que são os tubos que levam o ar até os pulmões, a doença ocorre quando os cílios que revestem o interior dos brônquios não eliminam o muco adequadamente. O acúmulo de secreção deixa os brônquios inflamados e contraídos, por isso causam tosse.

Os casos de bronquite podem ser crônicos ou agudos. A bronquite crônica acontece quando os sintomas duram pelo menos 3 meses em dois anos consecutivos. Os quadros de bronquite aguda, geralmente dura dias ou semanas, e mesmo que durem 3 meses, esses sintomas não voltam a aparecer nos próximos 12 meses.

As causas da bronquite podem ser virais ou bacterianas. A bronquite viral pode ser causada por uma variedade de vírus comuns, incluindo o vírus da gripe. Mesmo depois de curada uma infecção viral, a irritação causada por ela continua a produzir sintomas por semanas.

A bronquite bacteriana, por sua vez, acontece quando bactérias causam a inflamação, e muitas vezes ocorre depois de uma infecção viral do trato respiratório superior.

Vale lembrar que o tabagismo é um fator de risco e também um importante agravante da doença, independentemente da sua apresentação.

O tratamento varia de acordo com o quadro (agudo ou crônico) e também leva em conta o agente causador (vírus ou bactéria). Pessoas com bronquite que apresentam febre devem ingerir bastante líquido para fluidificar a secreção e facilitar a expectoração. 8

Asma

A asma causa o estreitamento dos bronquíolos, que são pequenos canais de ar do sistema respiratório, o que dificulta a passagem do ar e provoca contrações ou broncoespasmos. Quando estão inflamados, os bronquíolos acumulam muco, agravando o problema. Falta de ar e tosse seca são os principais sintomas.

As causas da asma são desconhecidas, mas a asma resulta mais provavelmente de interações complexas entre muitos genes, condições ambientais e nutrição. Diversas condições relacionadas a gravidez, nascimento e infância têm sido associadas ao desenvolvimento de asma na infância e mais tarde na idade adulta.

Relação entre asma, bronquite e coronavírus

As crises normalmente surgem em resposta a alguns agentes infecciosos, como por exemplo resfriados e bronquites. Agentes irritantes também são gatilhos, entre eles podemos citar a fumaça do cigarro, perfumes, pólen, partículas de ácaros do pó, secreções corporais de baratas, partículas de penas e pelos de animais, etc. 9

Rinite e Sinusite

A rinite e a sinusite não estão incluídas no grupo de risco para COVID-19. A inflamação no nariz (rinite) ou do sinus (sinusite) cavidades ao lado e acima do nariz apresentam sintomas diferentes. A rinite com cogestão nasal, coriza e espirro. A sinusite além da congestão nasal, tosse e dor de cabeça persistente.

Em ambas as condições a febre é menos comum do que resfriados e gripes convencionais. O alerta aqui é que a presença dessas doenças pode predispor o indivíduo a desenvolver outras doenças respiratórias. Por isso, vale a pena conhecer um pouco mais sobre elas. Leia mais sobre a diferença entre elas clicando aqui

Prevenção das doenças respiratórias, incluindo o COVID-19

A prevenção das doenças respiratórias inclui uma série de cuidados, desde a higiene adequada das mãos e ambientes, até os esforços que aumentam a imunidade. Separamos algumas dicas. Confira:

  • Lavar bem as mãos, com água e sabão até a altura dos pulsos
  • Usar álcool em gel
  • Não levar as mãos ao rosto
  • Evitar aglomerações e locais fechados
  • Não fumar
  • Manter a rinite alérgica sob controle
  • Tomar a vacina da gripe
  • Manter-se hidratado, tomando água antes mesmo que a sede apareça
  • Alimentar-se de maneira saudável, priorizando alimentos que fortalecem a imunidade
  • Manter a umidade no ar
  • Dormir 7 a 8 horas por noite
  • Nunca tome medicação sem orientação médica

Como podemos ajudar a combater o COVID-19

Além das medidas de prevenção que servem para todas as doenças respiratórias, podemos fazer mais para ajudar o Brasil a superar a pandemia de coronavírus. Listamos a seguir algumas dicas:

    1. Manter-se em isolamento: mesmo que não haja sintomas permaneça em casa sempre que puder, pois 2 terços das pessoas infectadas têm poucos ou nenhum sintoma, e podem estar contribuindo para espalhar o vírus para pessoas que têm mais riscos de desenvolver complicações. 10
    2. Não fazer compras grandes: nem todas as pessoas têm condições de comprar comida e suprimentos em grandes quantidades, por isso, pratique a empatia, desabastecer os supermercados só vai prejudicar as pessoas mais vulneráveis e encarecer os preços.
    3. Evitar estoque exagerado de álcool em gel: é mais importante que seus vizinhos também consigam se proteger para não se contagiar (o que aumenta o risco de você se contaminar), do que você ter vários frascos de álcool em gel guardados no armário.
    4. Não lotar o sistema de saúde: Além de dificultar o acesso das pessoas que estão com sintomas graves, procurar atendimento sem necessidade vai te expor aos lugares onde o vírus provavelmente vai estar: hospitais e unidades de saúde.
    5. Colocar-se a disposição de idosos em isolamento: Embora seja importante manter-se em casa, algumas pessoas em isolamento podem estar precisando de comida ou medicamentos. Seja gentil com elas e ofereça-se para fazer essas compras. Lembre-se de tomar TODO o cuidado necessário ao sair, e higienize tudo que veio da rua antes de entregar para o idoso.
    6. Seja voluntário: Atenda ao chamado do Ministério da Saúde para compor a Força Nacional do SUS, podem se inscrever: médicos, socorristas, enfermeiros, psicólogos, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas. Link aqui

Esperamos que esse artigo tenha esclarecido suas dúvidas, compartilhe esse texto para que essa mensagem chegue a mais pessoas 🙂


Colaboraram neste artigo:

Dr. Odair Albano – Clínico Geral – CRM SP 31101


Referências bibliográficas e datas de acesso

1 – Dr Consulta – 18/03/2020

2 – Drauzio Varella – 18/03/2020

3 – Minha Vida – 19/03/2020

4 – I Neuro – 19/03/2020

5 – Ministério da Saúde – 20/03/2020

6 – Agência Saúde – 20/03/2020

7 – El País Brasil – 20/03/2020

8 – MDS Manuais – Bronquite – 19/02/2020

9 – MDS Manuais – Asma – 19/03/2020

10 – O Globo – 20/02/2020