Pneumonia: sintomas mais comuns e 5 dicas de prevenção!

Tosse com presença de catarro, dor no tórax, dificuldade para respirar, febre. Esses são alguns sintomas de vários problemas do sistema respiratório, dentre eles a pneumonia. Doença que acomete especialmente crianças, de até 5 anos de idade, e idosos, ambos em função de um sistema imune mais frágil.

Para entender a gravidade do problema 1, 2

Segundo dados de um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), por ano aproximadamente 1,6 milhões de pessoas perdem a vida em função da pneumonia.

Mundialmente, ela foi a principal causa de morte por doenças infecciosas em menores de cinco anos no ano de 2015. No Brasil, dados do Datasus indicam que o problema foi responsável por 144.661 internações e 908 mortes de crianças da faixa etária de 0 a 5 anos entre janeiro e setembro de 2016.

è preciso estar atento a possibilidade de pneunomia e seus sintomas em crianças

Os idosos fazem parte do outro grupo muito suscetível à pneumonia. Oito em cada dez mortes por pneumonia no Brasil entre 2015 e 2017 foram de idosos, o que corresponde a mais de 80% das mortes pela doença.

Há inclusive vacinas que protegem contra o pneumococo, principal bactéria causadora de pneumonia, tanto para idosos quanto para portadores de doenças específicas (imunodeprimidos, esplenectomizados etc.), disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda disponíveis no SUS estão outros tipos de vacinas contra pneumococo e que fazem parte do calendário vacinal da criança. Todas elas são facilmente encontradas nos postos e clínicas privadas de vacinação. ³

Cabe salientar que frequentemente observamos ocorrência de pneumonias após episódio de gripe. Isso ocorre dado ao impacto negativo que a gripe traz na imunidade, deixando a pessoa adoecida mais susceptível a adquirir pneumonia. Assim proteger-se de gripe, é também proteger-se de pneumonia.

O que é pneumonia 4

A pneumonia é uma infecção que atinge os pulmões. Notadamente a região dos alvéolos pulmonares (estruturas onde o oxigênio que chega aos pulmões é transferido ao sangue), onde desembocam as ramificações terminais dos brônquios.

Ao contrário do que muitos pensam, não é a “friagem” que causa a pneumonia. Na verdade, ela é contraída por meio um agente externo como bactérias, vírus, fungos ou substâncias químicas. Essa associação da doença com o frio se dá pelo fato de as pessoas ficarem mais tempo em locais fechados e sem circulação de ar quando o clima está com temperaturas mais baixas, principalmente no inverno.

Pneumonia: sintomas 5, 6

Como explicamos no início do texto, a pneumonia apresenta sintomas muito comuns a outras doenças respiratórias. Isso é algo que pode fazer com que a situação se agrave, uma vez que as pessoas tendem a recorrer a medicamentos comuns – como os antigripais, por exemplo – na tentativa de amenizar os sintomas e se curar.

Assim, mesmo quem não faz parte do grupo com mais propensão a desenvolver a pneumonia precisa ficar atento aos sintomas listados a seguir.

Lista dos sintomas da pneumonia

  • Tosse seca com catarro amarelado ou esverdeado
  • Febre alta (acima de 37,5 °C)
  • Mal-estar
  • Fraqueza
  • Dores no corpo
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Dor no peito ou tórax
  • Náuseas e vômito
  • Suor intenso

No entanto, esses sintomas podem variar em função da extensão da doença e do agente causador.

Às vezes, as pessoas com pneumonia apresentam sintomas digestivos, como náusea, diarreia e perda de apetite.

Quando se trata de bebês e idosos esses sintomas variam ainda mais, podendo inclusive não haver febre, por exemplo. Pode não ocorrer dor torácica ou as pessoas podem não conseguir comunicar que sentem dor. Algumas vezes, o único sintoma é a respiração rápida ou uma recusa súbita de comer.  Ainda nos idosos, a confusão súbita pode ser o único sinal de pneumonia.

Tipos e causas de pneumonia 7, 8

A pneumonia pode ser contraída por diversos meios. As principais causas são: vírus, bactérias, fungos e substâncias químicas.

A penumonia apresenta sintomas que podem ser confundidos com outras doenças respiratórias comuns

Vamos ver entender um pouco mais sobre essas causas que definem os tipos de pneumonia.

Pneumonia viral

É uma infecção que se instala nos pulmões causada por um vírus. Pode acometer a região dos alvéolos pulmonares e, às vezes, os interstícios (espaço entre um alvéolo e outro).

Em se tratando do espaço alveolar, onde ocorre a troca gasosa, o ideal é que esse espaço esteja sempre “limpo”, ou seja, livre de substâncias que possam impedir o contato do ar com o sangue.

Diferentes do vírus da gripe, que é uma doença altamente infectante, a pneumonia não costuma ser transmitida facilmente.

Pneumonia química

Diferente das pneumonias mais conhecidas, a pneumonia química, também chamada de pneumonite química, não é causada por vírus ou bactérias, mas sim pela inalação de substâncias agressivas ao pulmão, como a fumaça, agrotóxicos ou outros produtos químicos, por exemplo.

A exposição a agrotóxicos exige o uso de EPI, pois essas substâncias são altamente perigosas, inclusive podem ser causa de pneumonia química

Quando aspiradas, essas substâncias vão para os pulmões e inflamam a via aérea os alvéolos. Essa inflamação pulmonar facilita o aparecimento de bactérias, podendo evoluir para uma pneumonia bacteriana.

Pneumonia bacteriana

A pneumonia bacteriana é a mais comum. Pode ser adquirida na comunidade, instituições de longa permanência (asilos, casas de repouso etc.), assim como em hospitais; tanto pela população geral saudável, como pessoas com saúde comprometida. Algumas bactérias presentes em nosso nariz, boca, garganta, pele e sistema digestivo, por exemplo, podem causar a pneumonia quando nossa imunidade cai.

Pneumonia por fungos

A pneumonia causada por fungos é o tipo mais raro. É comum ver esse tipo de pneumonia em pessoas com doenças crônicas e imunodeprimidas, como pacientes soropositivos ou paciente oncológicos.

Fatores de risco para pneumonia

Como já comentamos, a pneumonia é um problema mais comum em idosos e crianças, mas isso não exclui a possibilidade de ela ocorrer em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.

A internação prolongada é fator de risco para pneumonia

Isso ocorre porque, como vimos, existem muitas causas para a doença e também diversos fatores de risco que precisam ser observados. Para além da idade, existem outros fatores de risco para a doença. Observe:

O que aumenta o risco para pneumonia? 9

  • Tabagismo.
  • Infecções respiratórias virais, como gripe.
  • Consumo excessivo de álcool, pois interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório.
  • Exposição ao ar-condicionado, que deixa o ar muito seco, facilitando a infecção por vírus e bactérias
  • Resfriados mal-cuidados.
  • Mudanças bruscas de temperatura, característica comum no inverno brasileiro.
  • Doenças imunossupressoras (HIV, transplante, câncer, dentre outros).
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC (bronquite crônica e enfisema pulmonar).
  • Uso de drogas.
  • Doentes acamados.
  • Pessoas com redução do nível de consciência.
  • Hospitalizações prolongadas.
  • Pacientes em ventilação mecânica (em uso de respirador artificial).
  • Pacientes com outra doença pulmonar prévia (por exemplo: sequelas de tuberculose, bronquiectasias, fibrose cística etc.).

Prevenção da pneumonia 4

As principais formas de prevenção são recomendações simples. Veja:

1 – Lavar as mãos

A higiene é algo intimamente ligado à saúde. Por isso, lavar as mãos adequadamente é fundamental, afinal, é pelas mãos que muitos microrganismos acabam entrando no nosso corpo, como quando colocamos o dedo na boca ou coçamos os olhos, por exemplo.

Para lavar as mãos adequadamente é preciso utilizar água limpa e sabonete, lavar integralmente toda a superfície da mão, iniciando pelas palmas das mãos. É necessário ainda esfregar bem as pontas e espaços entre os dedos, unhas, o dorso da mão e até a região do punho. Deve-se demorar aproximadamente de 30 segundos a um minuto. Isso pode ser substituído ou complementado pela utilização de álcool em gel.

2 – Não fumar

O cigarro é extremamente prejudicial à saúde e afeta não só quem fuma, mas também quem convive com o fumante (fumante passivo).

Para os fumantes, o conselho é claro: pare de fumar. Inicie tentando diminuir o cigarro aos poucos até parar completamente. Procure ajuda médica se tiver dificuldade.

Para os não fumantes, evite se expor à fumaça da nicotina.

3 – Evitar aglomerações

Quando falamos de doenças respiratórias é preciso ter em mente que muitas delas compartilham dos mesmos sintomas (tosse, febre etc.). Isso faz com que a gente possa confundir uma doença com a outra, já que muitas delas têm o mesmo causador: vírus, germes altamente transmissíveis.

Assim, é preciso evitar o contágio por esses agentes causadores de doenças. Afinal, por mais que a pneumonia não seja contagiosa, ela pode ser muitas vezes um agravamento de doenças simples, como a gripe. Portanto, é algo que pode ser evitado.

Então, principalmente nas épocas mais frias do ano, evite locais fechados e cheios de gente, opte por ir ao supermercado, por exemplo, em horários menos movimentados. Abra as janelas de casa, do trabalho, do transporte público. Deixe o ar circular.

Vacinar-se contra a gripe é uma forma de prevenir a pneumonia

4 – Tomar vacinas

Como já comentamos, existem vacinas disponíveis para a pneumonia pneumocócica. Mesmo não sendo capazes de prevenir todos os casos de pneumonia, podem evitar as formas mais graves e comuns dessa doença.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação contra a gripe é uma grande aliada e responsável pela redução significativa no número de hospitalizações por pneumonias e também queda nos índices de mortalidade global pela doença. Por isso, devem ser vacinados os grupos considerados mais sujeitos às formas graves da doença, como por exemplo: gestantes, mulheres com até 45 dias após o parto, crianças de 6 meses a 2 anos, profissionais de saúde, doentes crônicos, pessoas privadas de liberdade ou com 60 anos de idade ou mais. 10

Lembrando que aqueles que não se encaixam nos grupos prioritários do Sistema Único de Saúde (SUS) podem se vacinar contra gripe em postos e clínicas particulares de vacinação.

5 – Exercícios de respiração

Além disso, os exercícios de respiração profunda e fisioterapia respiratória para remover o muco e demais secreções dos pulmões ajudam a prevenir uma pneumonia em pessoas com alto risco, como as que se submeteram a uma cirurgia abdominal ou torácica e pessoas que estão debilitadas. 5

Bônus: Pneumonia e COVID-19 11, 12

O tipo de pneumonia considerada mais comum é o bacteriano (causada por bactérias como pneumococos e estafilococos, por exemplo). Apesar de causar inflamação dos pulmões e aparecimento de pus nos alvéolos pulmonares, dificultando a respiração, seu tratamento já está bem definido. Uma ou duas semanas tomando antibiótico conforme a prescrição médica podem resolver o problema.

Por outro lado, a pneumonia causada por COVID-19 tem origem viral, ou seja, vem do novo coronavírus –  o SARS-CoV-2. Assim, seu principal problema é que ainda não se sabe qual remédio é capaz de combater o vírus invasor.

Nos casos mais graves, o tratamento é feito com internamento e o uso de ventilação por aparelhos, mantendo os níveis de oxigênio altos, até que o pulmão volte a funcionar normalmente.

Pneumonia por COVID-19: sintomas

Os sintomas de pneumonia causada por COVID-19 são parecidos com àqueles que aparecem nas pneumonias causadas por outros agentes. Isso significa que a doença afeta as vias aéreas superiores, causando congestão e secreção nasal, dor de cabeça e tosse que pode ser seca ou produtiva (com catarro). A febre também é comum nos dois casos, porém, todos esses sintomas têm cursos, evolução e complicações diferentes.

Por isso, quando o assunto é pneumonia, o melhor mesmo é se cuidar, ou seja, se prevenir. Nesses tempos de pandemia, o cuidado deve ser redobrado. Respeite as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Se puder, fique em casa. Se precisar sair, use máscara e mantenha-se longe de aglomerações e locais fechados ou pouco ventilados.

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Colaborou com esse artigo:

Dr. Leonardo Ruffing

Infectologista e Clínico Geral – CRM-SP 129537


Referências bibliográficas e datas de acesso:

1 – Sociedade Brasileira de Imunizações – 10/06/2020

2 – Portal R7 – 10/06/2020

3 – Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. 4. ed. Brasília : Ministério da Saúde, 2014.

4 – Fundação Oswaldo Cruz – 10/06/2020

5 – Hospital São Matheus – 11/06/2020

6 – MSD Manual – 11/06/2020

7– MD Saúde – 10/06/2020

8 – Fundação Oswaldo Cruz – 10/06/20206 

9 – MD Saúde – 11/06/2020

10 – Ministério da Saúde – 11/06/2020

11 – Superinteressante – 11/06/2020

12 – Hospital Santa Lucia – 11/06/2020