Campanha de vacinação e vacinação de rotina conforme a idade

Muitas doenças comuns no Brasil e no mundo deixaram de ser um problema de saúde pública por meio de campanhas de vacinação.

Você sabia que historicamente a campanha de vacinação se mostra um dos meios mais eficazes de evitar e até mesmo erradicar doenças comuns no Brasil e no mundo? É isso mesmo e, em tempos de fake news e de um inexplicável aumento de movimentos antivacina, desmistificar alguns pontos volta a ser algo importante. Por isso, esse é o nosso tema de hoje, contudo, antes de ir para o texto, vamos conferir o que a Drª. Karen Rocha De Pauw, ginecologista e obstetra, tem para compartilhar:

Continue a leitura e saiba mais sobre as vacinas e a importância da campanha de vacinação enquanto método de conscientização e prevenção.

O que são as vacinas ¹

A vacina é uma substância biológica produzida a partir de vírus ou bactérias enfraquecidas ou inativas, bem como de substâncias produzidas por esses agentes, que é introduzida no corpo humano a fim de protegê-lo de doenças.

Dentre as vacinas que tiveram campanhas recentes estão a febre amarela e o sarampo.

Esse procedimento ativa o sistema imunológico e o “ensina” a reconhecer e combater vírus e bactérias em futuras infecções. Desse modo, uma vez introduzida no corpo, a vacina estimula a produção de anticorpos no sistema imunológico para combater e bloquear o desenvolvimento da doença em caso de a pessoa vir a ter contato com os agentes causadores de determinada doença.

Quando surgiu a vacina ¹,²

Falar de vacina é também falar de história. Já que os primeiros registros do uso de vacinas se relacionam com o combate à varíola no século 10, na China. Porém, naquela época a vacina era muito diferente do que é hoje em dia.

Os chineses removiam as cascas das feridas provocadas pela varíola, trituravam e assopravam esse pó, que continha o vírus inativo, no rosto das pessoas. Com o passar do tempo, em 1798, depois de ouvir rumores de que mulheres trabalhadoras rurais não pegavam varíola, porque já haviam tido anteriormente a varíola bovina (de menor impacto no corpo humano), o cientista inglês Edward Jenner decidiu testar essa teoria.

Ele então introduziu os dois vírus em um garoto de oito anos. Primeiro, o vírus da varíola bovina e, alguns meses depois, o vírus da varíola que atinge humanos. Com isso o cientista percebeu que o rumor tinha de fato uma base científica.

Já em 1881, ao combater a cólera aviária e o carbúnculo, o cientista francês Louis Pasteur começou o desenvolvimento da segunda geração de vacinas. Por sugestão dele, sua recém-criada substância foi batizada em homenagem a Jenner – já que palavra “vacina” deriva justamente de Variolae vaccinae, nome científico da varíola bovina.

A partir daí se inicia a produção em massa de vacinas e logo elas se tornaram a principal forma de combate a doenças do mundo.

Tenho “medo de vacina”

É muito comum ouvirmos pessoas relatarem o medo de tomar vacina ou o medo agulhas.

A campanha de vacinação é uma forma de conscientizar até as pessoas que têm medo de agulhas

O “medo de vacina”, ou melhor, o medo de agulhas é muito comum durante a infância e tende a passar com a chegada da vida adulta. Por isso, também, a campanha de vacinação é importante, já que se trata de uma oportunidade a mais de conscientização maciça sobre os benefícios da imunização para evitar surtos ou mesmo o retorno de doenças já erradicadas.

As vacinas são seguras ³

Antes de ser administrada na população, toda vacina passa por uma série de testes rigorosos ao longo das diferentes fases de ensaios clínicos e segue sendo avaliada regularmente mesmo depois de ter sua aplicação liberada.
É importante ressaltar que o ciclo de monitoramento das vacinas não acaba aí. Os cientistas continuam constantemente monitorando informações de várias fontes. Assim, eles ficam sabendo de qualquer sinal adverso ou efeito colateral relacionado a determinada vacina. Por isso vale alguns lembretes:

Mitos sobre vacina 4

  • Vacina não causa autismo
  • Vacinas não causam efeitos colaterais perigosos
  • Pessoas saudáveis também precisam tomar vacina
  • Vacinas são seguras para pessoas com diabetes e hipertensão
  • Não há perigo em tomar várias vacinas de uma vez, salvo exceções que sempre serão orientadas pela Unidade de Saúde.

Autocuidado e campanha de vacinação 5

Para manter a saúde em dia, o autocuidado é fundamental. E isso inclui estabelecer uma rotina de vacinação para que ela seja de fato eficaz.

A campanha de vacinação é uma oportunidade de verificar se você está em dia com a vacinação de rotina

Mas como estabelecer uma rotina de vacinação? É simples. Basta comparecer a uma sala de vacinação em qualquer Unidade Básica de Saúde, o conhecido “postinho” do seu bairro, para ser vacinado, na idade recomendada. Caso você tenha dúvida se está na idade certa para tomar determinada vacina, o profissional de saúde vai lhe orientar. A vacinação nas Unidades Básicas de Saúde é gratuita e é também um direito de todo cidadão, além disso essas vacinas oferecidas também são bastante confiáveis.

Além de ser vacinado na idade recomendada pelo calendário do Ministério da Saúde, ou seja, seguir a vacinação de rotina, é preciso também estar atento às campanhas de vacinação como, por exemplo, a campanha contra a poliomielite e a campanha do idoso (contra a gripe), que acontecem anualmente em todo país. Além disso, todos devemos receber as vacinas oferecidas nas campanhas de vacinação, afinal, uma não exclui a outra.

Vacinação: onde encontrar

É possível encontrar as vacinas gratuitamente nas salas de vacinação localizadas nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país. Para isso, basta comparecer a um posto de saúde levando o cartão de vacinação em mãos. Outra opção são as clínicas particulares de vacinação.

Em caso de perda do cartão de vacinação, o Ministério da Saúde orienta que se solicite a segunda via, para isso é preciso procurar o posto de saúde onde recebeu as vacinas e, assim, resgatar o histórico de vacinação.

É importante ressaltar que a falta desse documento não impede a vacinação nos postos de saúde. Contudo, o cartão de vacinação é o documento que comprova a situação vacinal, portanto deve ser guardado junto aos demais documentos pessoais.

Qualidade de vida e vacinação de rotina 6

Para proporcionar melhor qualidade de vida à população com relação à prevenção de doenças, desde 1973, no Brasil, temos o Programa Nacional de Imunizações. Trata-se de um programa criado pelo Ministério da Saúde que tem avançado a cada ano.

Qualidade de vida e vacinação de rotina

A exemplo de países mais desenvolvidos, o Brasil possui um Calendário Nacional de Vacinação que disponibiliza 19 vacinas de rotina ao todo. Essa vacinação se inicia nos recém-nascidos, só que não contempla apenas as crianças, mas igualmente adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas. Vamos agora conhecer a vacinação de rotina por faixa etária.

Vacinação para bebês e crianças

O calendário de vacinação do bebê e das crianças inclui as vacinas a serem tomadas até os 6 anos de idade, já que, ao nascer, o nosso corpo não possui as defesas necessárias para combater infeções. Nesse sentido, as vacinas atuam na proteção do organismo, logo diminuem o risco de doenças e auxiliam no desenvolvimento adequado e crescimento saudável da criança.

A vacinação é fundamental para a saúde e o pleno desenvolvimento de bebês e crianças

Todas as vacinas do calendário são recomendadas pelo Ministério da Saúde e, por isso, são gratuitas, devendo ser, portanto, administradas na maternidade, em um posto de saúde ou no pediatra.

Vacinas para bebês 7

A maioria das vacinas indicadas para bebês são aplicadas na coxa ou no braço da criança, veja quais são elas:

Ao nascimento

  • Vacina Bacilo Calmette-Guerin (BCG), dose única
  • Vacina contra Hepatite B, dose ao nascer

Aos 2 meses de idade

  • Penta (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B), 1ª dose
  • Vacina Poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) (VIP), 1ª dose
  • Pneumocócica 10 Valente (conjugada), 1ª dose
  • Rotavírus humano, 1ª dose

Aos 3 meses de idade

  • Meningocócica C (conjugada), 1ª dose

Aos 4 meses de idade

  • Penta, 2ª dose
  • Vacina Poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) (VIP), 2ª dose
  • Pneumocócica 10 Valente (conjugada), 2ª dose
  • Rotavírus humano, 2ª dose

Aos 5 meses de idade

  • Meningocócica C (conjugada), 2ª dose

Aos 6 meses de idade

  • Penta, 3ª dose
  • Vacina Poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) (VIP), 3ª dose

Aos 9 meses de idade

  • Vacina contra Febre Amarela, uma dose

Aos 12 meses de idade

  • Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola), 1ª dose
  • Pneumocócica 10 Valente (conjugada), reforço
  • Meningocócica C (conjugada), reforço

Vacinação de crianças 7

Como você deve ter notado, durante o primeiro ano de vida, o bebê vai tomar mais vacinas do que ao longo de toda a vida.

Durante a infância é importante estar atento para por em dia vacinas que eventualmente não tenham sido administradas na idade correta.

Depois desse período há o reforço de vacinas e a inclusão de outras, veja quais são:

Aos 15 meses de idade

  • Vacina DTP (previne a difteria, tétano e coqueluche), 1º reforço
  • Vacina Poliomielite 1 e 3 (atenuada) (VOP), 1º reforço
  • Hepatite A, uma dose
  • Tetra viral (previne sarampo, rubéola, caxumba e varicela/catapora), uma dose

4 anos de idade

  • DTP (previne a difteria, tétano e coqueluche), 2º reforço
  • Vacina Poliomielite 1 e 3 (atenuada) (VOP), 2º reforço
  • Varicela atenuada, uma dose

É importante ressaltar que crianças de 6 meses a 5 anos de idade devem ainda tomar uma ou duas doses da vacina influenza durante a campanha de vacinação da gripe.

Vacinas para adolescentes 7

Na infância as crianças são vistas periodicamente pelos pediatras, mas na adolescência, apesar dos riscos de algumas patologias, é comum que as visitas ao médico se tornem menos frequentes em comparação com outros grupos etários.

Na adolescência é importante não esquecer de manter a carteira de vacinas em dia.

Por isso, nessa faixa etária, é fundamental manter cuidados básicos de saúde, além da imunização adequada. Nesse sentido, as campanhas de vacinação se tornam ainda mais importantes para que sejam colocadas em dia doses que porventura estejam atrasadas.

Vamos ver agora, quais as vacinas indicadas para os adolescentes:

Meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos

  • HPV, 2 doses (seis meses mínimos de intervalo entre as doses)

11 a 14 anos

  • Meningocócica C (conjugada), dose única ou reforço (a depender da situação vacinal anterior*)

10 a 19 anos

  • Hepatite B, 3 doses (a depender da situação vacinal anterior*)
  • Febre Amarela, 1 dose (a depender da situação vacinal anterior*)
  • Dupla Adulto (dT) (previne difteria e tétano), reforço a cada 10 anos
  • Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola), 2 doses (de acordo com a situação vacinal anterior*)
  • Pneumocócica 23 Valente, 1 dose (a depender da situação vacinal anterior*) – (indicada para população indígena e grupos-alvo específicos)

* Quer dizer que se já tomou todas as doses, não há necessidade de tomar mais. Contudo, se não tomou todas as doses, deve completar as que estão faltando.

Vacinação na idade adulta 7

As vacinas quase sempre são associadas às crianças e muita gente nem sabe que existe um calendário de vacinação a ser cumprido pelos adultos.

Existe um calendário de vacinação que precisa ser cumprido pelos adultos.

São cada vez mais frequentes os estudos que evidenciam os benefícios de vacinas, procedimento frequentemente negligenciado pelos adultos. Em razão disso, manter a atualização da carteira de vacinação é muito importante e, em especial, no caso dos adultos, atenção à vacinação de campanha sazonal, como a campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo.

Vejamos, então, quais as vacinas destinadas ao público adulto de 20 a 59 anos:

  • Hepatite B, 3 doses (a depender da situação vacinal anterior*)
  • Febre Amarela, dose única (a depender da situação vacinal anterior*)
  • Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola), verificar a situação vacinal anterior*; se nunca vacinado: receber 2 doses (de 20 a 29 anos) e 1 dose (de 30 a 49 anos)
  • Dupla adulto (dT) (previne difteria e tétano), reforço a cada 10 anos
  • Pneumocócica 23 Valente, 1 dose (indicada também para população indígena e grupos-alvo específicos)

* Quer dizer que se já tomou todas as doses, não há necessidade de tomar mais. Contudo, se não tomou todas as doses, deve completar as que estão faltando.

Além disso, os adultos devem sempre verificar as vacinas antes de realizar viagens dentro e fora do país, uma vez que os variados destinos modificam os riscos de doenças infecciosas e as vacinas indicadas.

Vacinas indicadas conforme o destino são: cólera, hepatite A, encefalite japonesa, meningite, raiva, encefalite do carrapato, tuberculose, poliomielite, sarampo, rubéola, caxumba, febre tifoide e febre amarela, por exemplo. Por isso é preciso informar o local de destino na hora de se vacinar. 8

Vacinação na terceira idade 6

Quando falamos em vacinação do idoso, logo pensamos na vacina contra a gripe, devido ao fato de que quem tem mais de 60 anos faz parte do grupo de pessoas suscetíveis a contrair algumas doenças infecciosas, afinal, o envelhecimento compromete o sistema imunológico de todos nós.

A imunização do idoso, não se resume à vacina contra a gripe.

Além de prevenir doenças infecciosas, a vacinação de idosos também é muito importante para reforçar o sistema imunológico da pessoa, isso porque as vacinas formam anticorpos contra vírus e bactérias. 

Principais vacinas voltadas ao grupo 60+

  • Hepatite B, 3 doses (verificar situação vacinal anterior*)
  • Febre Amarela, dose única (verificar situação vacinal anterior*)
  • Dupla Adulto (dT) (previne difteria e tétano), reforço a cada 10 anos
  • Pneumocócica 23 Valente, reforço (a depender da situação vacinal anterior*) – Esta vacina é indicada para população indígena e grupos-alvo específicos, como pessoas com 60 anos e mais não vacinados que vivem acamados e/ou em instituições fechadas, por exemplo.
  • Influenza, uma dose (anual)

* Quer dizer que se já tomou todas as doses, não há necessidade de tomar mais. Contudo, se não tomou todas as doses, deve completar as que estão faltando.

Vacinação para gestantes 7

Após a confirmação da gravidez, a gestante deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para iniciar o pré-natal, acompanhamento que permite a identificação e a redução de muitos problemas de saúde que podem acometer a saúde da mãe e da criança.

A vacina, quando administrada à mulher grávida, confere também proteção ao bebê.

A vacinação é parte fundamental desse cuidado, pois ela protege não somente mãe, mas também o bebê. Os anticorpos formados pela mãe passam para o bebê através da placenta. Além disso, a amamentação também ajuda a proteger a criança até que ela possa iniciar a vacinação infantil, pois os anticorpos também passam pelo leite materno.

Vacinas indicadas pelo Ministério da Saúde para as mulheres gestantes

  • Hepatite B, 3 doses (a depender da situação vacinal anterior*)
  • Dupla Adulto (dT) (previne difteria e tétano), 3 doses (a depender da situação vacinal anterior*)
  • dTpa (Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) (previne difteria, tétano e coqueluche), uma dose deve ser tomada a cada gestação a partir da 20ª semana de gestação ou no puerpério (até 45 dias após o parto)
  • Influenza, uma dose (anual)

* Quer dizer que se já tomou todas as doses, não há necessidade de tomar mais. Se não tomou todas as doses, deve completar as que estão faltando.

Campanha de vacinação: saúde e prevenção

Ao longo desse texto, trouxemos um pouco de História e muitas informações importantes, como quais são as vacinas indicadas para cada faixa etária, por exemplo. No entanto, mais do que isso, a intenção é promover a conscientização a respeito da importância da vacinação em todas as idades.

Quem não se vacina não coloca apenas a própria saúde em risco, mas também a de seus familiares e amigos. Assim, tomar vacinas é a melhor maneira de se proteger e proteger quem se ama.

Esteja atento à chamada do governo para as campanhas de vacinação sazonais e dirija-se à Unidade Básica de Saúde mais próxima para se vacinar e verificar se não há outras vacinas pendentes.

Torne a vacinação um hábito e tenha mais saúde.


Colaboraram com esse artigo:

Dra. Karen Rocha De Pauw
Ginecologista – CRM-SP 106923
Site: www.doutorakaren.com

Dra. Adriana Bittencourt Campaner
Ginecologista –  CRM-SP 75482


Referências bibliográficas e datas de acesso:

1 – Fundação Oswaldo Cruz – 14/03/2020

2 – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – 16/03/2020

3 – Viva Bem – 16/03/2020

4 – Saúde Abril – 23/03/2020

5 – Cristina Toscano – 16/03/2020

6 – Ministério da Saúde – 22/03/2020

7 – Ministério da Saúde – 22/03/2020

8 – Hospital Moinhos de Vento – 22/03/2020