9 doenças que podem melhorar com prática de exercício físico

Exercício físico no combate à doenças crônicas

A maioria de nós está cansado de saber que o exercício físico traz mais qualidade de vida, saúde e bem-estar. Mesmo assim, o sedentarismo vem aumentando. É o que demonstra os dados da Organização Mundial da Saúde: 1 a cada 4 adultos no mundo é sedentário, em outras palavras, pelo menos 25% da população mundial faz menos atividades físicas do que deveria.

No Brasil a situação é ainda pior, somos o 4° país mais sedentário do mundo! As estatísticas são alarmantes, pois, na medida em que o sedentarismo avança, aumenta também o número de doenças associadas a falta de exercício físico regular. ¹

Mas também trazemos uma boa notícia: mesmo depois que a doença já está estabelecida, a mudança no estilo de vida e a adoção de uma rotina de exercícios orientada para aquela condição pode contribuir para o sucesso do tratamento e a redução dos sintomas.

É claro que, antes de tudo, é importante lembrar que o programa de exercícios sempre deve ser orientado pelo médico, pois ele irá avaliar seu condicionamento e as possíveis limitações, tendo em vista também outras condições de saúde associadas.

Mas afinal, exercícios físicos previnem e tratam quais doenças?

1 – Hipertensão melhora com atividade física

hipertensão é a condição onde a pessoa tem sua pressão arterial aumentada na maior parte do tempo. Isso obriga o coração a fazer um esforço maior do que o normal para enfrentar a resistência dos vasos sanguíneos para que o sangue seja distribuído pelo corpo.

O sobrepeso é um agravante na medida em que aumenta a exigência do trabalho do coração para conseguir bombear o sangue. Por outro lado, um corpo em forma vai ter mais facilidade para controlar a pressão arterial.2

O tipo de exercício físico mais apropriado para o paciente hipertenso é combinar atividades aeróbicas com exercícios de resistência leves, como musculação sem muita carga, por exemplo. As atividades físicas vão contribuir para: 3,4

  • Manutenção do peso ideal;
  • Manutenção da musculatura;
  • Diminuição do estresse;
  • Atividade Respiratória;
  • Atividade Cardiovascular.

Temos um e-book completo sobre a relação entre o sal e a hipertensão. Entenda mais sobre o assunto clicando aqui.

2 – Exercício físico ajuda a tratar Osteoporose

osteoporose é uma doença que enfraquece os ossos, portanto, ela surge quando o corpo aumenta a reabsorção óssea e reduz a formação óssea deixando o osso mais poroso e frágil.5

Assim como os músculos, os ossos também precisam ser exercitados para permanecerem fortes e saudáveis. As atividades mais recomendadas pelos especialistas para as pessoas que sofrem de osteoporose são que causem leve impacto.6 As atividades físicas no tratamento da osteoporose estimulam a formação óssea e previnem a reabsorção. Os mais indicados são:

  • Corrida
  • Caminhada;
  • Dança.

Leia mais sobre osteoporose aqui

3 – Atividade física para dor crônica

A dor crônica é aquela que persiste mesmo após uma doença estar curada. Isso pode acontecer por diferentes fatores: fisiológicos ou psicológicos. Do ponto de vista físiológico, o cérebro registra o fato e passa a sinalizar a dor de modo persistente. 7

Dores persistentes costumam interferir muito na qualidade de vida. As pessoas podem se tornar inativas, socialmente afastadas e constantemente preocupadas com sua saúde física, logo, o prejuízo psicológico e social pode ser grave, por isso o tratamento é fundamental.8

O tipo e a frequência dos exercícios irão variar muito dependendo do local da dor e outras patologias que possam estar associadas. Entretanto, o foco está na qualidade do movimento. A caminhada é uma boa opção, pois:

  • Melhora a postura;
  • Trabalha a respiração;
  • Contribui para força e flexibilidade.
  • Libera endorfina que melhora a dor e o humor

Nas dores crônicas mais limitantes o exercício na água como hidroginástica e natação podem trazer benefícios físicos e psíquicos e baixo risco.

É preciso lembrar que ficar parado não resolve o problema, pelo contrário! Estudos demonstram que a falta de exercício físico tende a agravar o quadro, pois a musculatura mais próxima à região dolorosa costuma ficar tensionada. Uma dor no quadril pode gerar uma tensão na lombar, alteração na postura e até virar uma dor de cabeça, por exemplo.9

Exercício físico aeróbico leve

4 – Como tratar colesterol com atividade física

O colesterol é um lipídeo, ou seja, um tipo gordura que circula pelo nosso organismo através do nosso sangue. Como o colesterol é uma gordura insolúvel em água, ele se liga a partículas de proteína para ser transportado no sangue.

A maior parte do colesterol está ligada a LDL lipoproteína de baixa densidade (LDL) – colesterol chamado “ruim”. Normalmente o excesso de colesterol no sangue resulta dos maus hábitos alimentares. O restante do colesterol está ligado à proteína de alta densidade (HDL) chamado colesterol “bom”.

O LDL transporta do fígado para os tecidos cerca 70% de todo o colesterol que circula pelo sangue. São partículas pequenas que se ligam, infiltram e ficam depositadas nas artérias.  As placas de gordura nas artérias aumentam o risco de doenças cardiovasculares. O HDL transporta o colesterol de volta para o fígado reduzindo o risco de complicações.

A atividade física aumenta a produção da enzima lipopoteina lipase (LPL) nas paredes das artérias do coração, nos depósitos de gordura e músculos. Ela tem a capacidade de reduzir quantidade de triglicérides do LDL, aumentando o fluxo de sangue, impedindo assim que as gorduras acumulem nas paredes das artérias.10

As atividades aeróbicas aumentam a quantidade do colesterol bom (HDL) e diminuem o colesterol ruim (LDL). Bons exemplos são:

  • Corridas e caminhadas;
  • Ciclismo;
  • Natação;
  • Dança aeróbica;
  • Esportes coletivos no geral como: futebol, tênis e basquete.

5 – Alzheimer pode ter evolução mais lenta com a prática de exercício físico

A doença de Alzheimer causa a perda progressiva da memória. No início, o prejuízo é a perda da memória recente, aquela de curto prazo. Dessa forma, é comum que a pessoa lembre com precisão de acontecimentos de anos atrás, mas se esqueça, por exemplo, de uma refeição que acabou de fazer.

Há evidências científicas que indicam que atividades de estimulação cognitiva, social e física beneficiam a manutenção de habilidades preservadas e favorecem a funcionalidade cerebral. 11

É por isso que o exercício físico e a fisioterapia oferecem benefícios neurológicos, retardando a evolução da doença e contribuindo para a melhora da qualidade vida dos portadores de Alzheimer, veja:

  • Eles melhoram a coordenação motora;
  • Fortalecem a musculatura;
  • Contribuem para o equilíbrio e flexibilidade;
  • Retardam o declínio funcional nas atividades do dia a dia;
  • Alguns estudos mostram que atividades regulares estão associadas a evolução mais lenta da Doença de Alzheimer.

Os exercícios também ajudam no ganho de independência e favorecem a percepção sensorial. Algumas indicações incluem:

  • Alongamentos;
  • Exercícios para fortalecimento muscular;
  • Exercícios aeróbicos moderados, sob orientação e com acompanhamento dirigido.

6 – Exercício físico para Parkinson

Parkinson é uma doença neurológica, crônica que causa perda progressiva dos movimentos.  A condição promove uma degeneração de uma pequena uma parte do cérebro chamada substância nigra, que causa morte dos neurônios e perda da produção de dopamina.

 Os exercícios físicos são muito importantes no tratamento, pois ajudam a preservar a qualidade dos movimentos.12

Estudos científicos mostram que os parkinsonianos que praticam algum exercício físico regularmente conseguem realizar as atividades normais do dia a dia por mais tempo, assim como conseguem reduzir a velocidade da progressão dos sintomas como rigidez muscular e falta de flexibilidade.13

A atividade física direcionada para pacientes com Parkinson deve agir em três frentes:

  • Fortalecer o sistema cardiovascular e respiratório;
  • Aumentar a flexibilidade muscular;
  • Fortalecer os músculos;

Sendo assim, a caminhada costuma ser a indicação número 1 dos médicos, porque ela pode ser feita em qualquer lugar e não precisa de equipamentos ou treinos. Nadar e andar de bicicleta também são atividades recomendadas. O mais importante é a regularidade. O ideal é estar em movimento de 4 a 5 dias por semana, durante 40 minutos.13

Exercício físico vigoroso para combater doenças

7 – Atividade física melhora depressão

depressão é uma doença psiquiátrica crônica. Dessa forma, ela é diferente daquela tristeza que todos nós sentimos de vez em quando. Nos quadros de depressão, a tristeza simplesmente não passa, por isso o mal-estar emocional é persistente e pode comprometer muito a qualidade de vida.

Uma forma de potencializar o tratamento é inserir a prática de exercícios físicos na rotina. Um estudo realizado pelo Centro Médico de Southwestern, na Universidade do Texas (EUA), descobriu que a prática de exercícios aeróbicos regulares pode reduzir os sintomas da depressão quase pela metade.14

A atividade física contribui para o alívio do stress e promove o bem-estar físico e mental, isso acontece porque existe a liberação de hormônios como por exemplo a endorfina, que é responsável por melhorar o humor.

Algumas das atividades mais eficazes para tratamento da depressão incluem: 15

  • Treinos de resistência;
  • Corrida;
  • Ciclismo;
  • Natação;

8 – Exercícios ajudam a lidar com a ansiedade

Você sabia que o Brasil é o país mais ansioso do mundo? Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS).  As pessoas que têm transtorno de ansiedade sentem uma preocupação e medo extremos em situações simples e de rotina. Algumas delas podem apresentar sintomas físicos, portanto, isso pode atrapalhar as atividades cotidianas e tornar-se uma grande agonia.

Pesquisadores da Southern Methodist University, nos Estados Unidos, descobriram que pessoas com um quadro clínico de ansiedade podem ter os sintomas reduzidos com atividade física de intensidade moderada.16

Portanto, a diminuição dos níveis de stress é essencial para o alívio dos sintomas da ansiedade. As atividades que mais contribuem para isso são:

  • Caminhada;
  • Corrida;
  • Ritmos e Zumba;
  • Ioga e Meditação.

9 – Enxaqueca pode melhorar com a prática de exercícios

enxaqueca é uma doença neurológica, e que muitas vezes se manifesta de maneira crônica. Seu principal sintoma é a presença de dores de cabeça pulsantes, que normalmente atingem apenas um lado da cabeça. Entretanto, enxaqueca não é só dor de cabeça, muitas vezes ela pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e sons e aura (alterações visuais e sensitivas).

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina conseguiu expressar os benefícios da atividade física em números. O estudo revelou que um sedentário tem 43% mais dor de cabeça do que alguém que faz exercícios. Os exercícios físicos vigorosos costumam ajudar antes que a crise se instale, seja na academia, ao ar livre ou em casa. Veja alguns exemplos: 17

  • Caminhada forte: Andar 4 minutos e correr 1.
  • Aulas de spinning;
  • Jump;

Essas atividades melhoram o fluxo sanguíneo e atenuam a dor de cabeça, dessa forma é possível reduzir a frequência das crises e a dor passa a ser mais moderada. Mas lembre-se que se a crise já se instalou, pode ser melhor investir em atividades relaxantes como ioga ou alongamento.

Para finalizar, cabe ressaltar que os exercícios recomendados para prevenção e tratamento de doenças devem ser individualizados. Isso porque tudo depende do objetivo (prevenção ou tratamento), da idade do paciente, se existem outras patologias associadas etc.

As recomendações que trouxemos aqui, por exemplo: tipos de exercício, frequência, intensidade e duração das atividades são apenas orientações com base na bibliografia atual. Então, não esqueça: Procure orientação médica antes de embarcar numa nova rotina de atividades físicas, principalmente se você é uma pessoa sedentária. O nível de esforço deve aumentar gradualmente, e a atividade deve ser feita com a orientação de um profissional da área.


Colaboraram neste artigo:
Dr. Odair Albano – Clínico Geral – CRM SP 31101


Referências bibliográficas e data de acesso:

1 – G1  07/10/2019

2 – Saúde.gov  07/10/2019

3 – Saúde Abril 07/10/2019

4 – Previna.com 07/10/2019

5 – Gineco.com.br 08/10/2019

6 – SBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente 08/10/2019

7 – MSD Manuais 09/10/2019

8 – Minha Vida 09/10/2019

9 – Saúde Abril 09/10/2019

10 – Hora do Treino 09/10/2019

11 – ABRAz – Associação Brasileira de Alzheimer 10/10/2019

12 – Drauzio Varella 10/10/2019

13 – Erich Fonoff  10/10/2019

14 – Minha Vida 09/10/2019

15 – Veja 10/10/2019

16 – Minha Vida 09/10/2019

17 – Saúde.ig 10/10/2019