Rinite alérgica: tudo o que você precisa saber sobre o problema

Rinite é uma doença inflamatória das mucosas do nariz.

Além de épocas mais frias, o outono e o inverno também costumam ser períodos mais secos do ano, onde a umidade relativa do ar pode ficar abaixo dos 30%. Estes fatores, somados a presença de ácaros nos ambientes que frequentamos desencadeiam problemas respiratórios, sendo a rinite alérgica um dos mais comuns. ¹

No texto de hoje, traçaremos um guia sobre doença. Vamos ver o que é, quais os tipos, causas, tratamentos e prevenção.

O que é rinite?

Uma forma de entender o que é determinada doença é começar pelo nome do problema em si. Em linguagem médica, de modo geral, as doenças cujo nome termina em “ite” são inflamações. Nesse sentido, a palavra rinite, define a inflamação da mucosa nasal.

Rinite alérgica ²,³

A rinite alérgica é causada por uma reação do sistema imune do nosso organismo a um fator ambiental. Dentre os fatores desencadeantes mais comuns estão o pó, mofos, polens, ervas, árvores e animais, por exemplo.

Dentre os fatores desencadeantes mais comuns temos pó, mofos, polens, ervas, árvores e animais.

A rinite alérgica figura entre as doenças respiratórias mais comuns, chegando a atingir de 10% a 25% da população mundial. Contudo, ainda é uma condição subestimada por pacientes que não a reconhecem como uma doença e procuram ajuda médica quando ocorre alguma complicação, como por exemplo a sinusite, a otite, entre outras.

Diferente do que se pensa, a rinite alérgica pode apresentar classificações e níveis de intensidade diferentes. Tudo depende da apresentação do quadro clínico do paciente.

Classificação e intensidade da rinite alérgica

Em termos de classificação, a doença pode ser intermitente e persistente. A rinite intermitente, antes conhecida como sazonal, apresenta sintomas que duram menos de quatro dias por semana ou menos de quatro semanas por ano. Já na rinite persistente, antes chamada de perene, os sintomas estão presentes por mais de quatro dias por semana e por mais de quatro semanas ao ano.

Quanto à intensidade dos seus sintomas, podemos dividi-la em leve ou moderada e grave. A rinite considerada grave e mesmo a moderada é diferente da leve por interferir, por exemplo, na qualidade do sono e outras atividades diárias ou esportivas.

Sintomas da rinite 4

Após o contato com o fator desencadeante, os sinais e sintomas de rinite alérgica começam a surgir, são eles:

  • Obstrução nasal
  • Rinorreia, corrimento nasal em excesso
  • Espirros
  • Prurido ou comichão no nariz

Outros sintomas frequentemente associados às crises são as dores de cabeça, coceira no céu da boca, garganta e irritação nos olhos. Além de acufenos, o chamado “zumbido no ouvido”, e sensação de ouvido tapado, em função do processo inflamatório da trompa auditiva.  Dores de garganta e tosse também podem ocorrer pela associação de faringite/laringite, consequência da respiração bucal, que acontece por causa do nariz entupido.

Esses sintomas podem surgir em qualquer pessoa, o que dificulta a separação do que é normal daquilo que é patológico. Assim, é a gravidade dos sintomas que sinaliza a necessidade de uma visita ao médico especialista em busca de tratamento específico.

Causas da rinite alérgica 5

As causas da rinite podem variar de acordo com o local onde a pessoa vive. Porém, de modo geral, são determinados alérgenos os responsáveis por aumentar a irritação da mucosa nasal, dentre eles podemos destacar:

  • Ácaros: são microrganismos que se desenvolvem facilmente em ambientes escuros e úmidos. Se proliferam em locais que acumulam poeira, em pelos de animais de estimação, em colchões, roupas de cama e banho, entre outros.
  • Mofo e bolor: assim como os ácaros, os fungos também preferem lugares úmidos para se multiplicarem. São comumente encontrados em paredes, no teto e em móveis de madeira.

o mofo e umidade presentes no ambiente são fatores causadores de alergias.

  • Pólen: esses minúsculos grãos produzidos pelas flores são agentes alérgenos que ficam suspensos no ar durante a primavera, mas também podem estar presentes em qualquer época do ano.
  • Mudanças bruscas de temperatura: muito comuns no Brasil, principalmente na região Sudeste, que apresenta trocas repentinas de temperatura, independente da estação. Pode piorar no outono e inverno, onde a amplitude de temperatura em um único dia tende a ser maior.
  • Produtos de limpeza: o cheiro forte de produtos de higiene residencial pode causar a irritação dos olhos e do nariz, facilitando o desenvolvimento da alergia.

Além dos agentes causadores de alergia, a rinite possui ainda fatores que determinam a probabilidade de uma pessoa apresentar o problema.

Fatores determinantes para desenvolvimento da doença 4

O desenvolvimento da rinite alérgica está relacionado a:

  • Fatores genéticos: o risco de apresentar o problema duplica se um dos progenitores (pai ou mãe) for alérgico, sendo a influência materna maior do que a paterna. Se ambos os progenitores forem atópicos o risco é quatro vezes maior.
  • Exposição a alérgenos: o desenvolvimento do problema na infância possui como causa primária a exposição a alérgenos ambientais, aumentando o risco em 5-10 vezes no caso da exposição aos ácaros.

Poluição interna causada pelo fumo passivo em crianças é fator que favorece o desenvolvimento de problemas respiratórios.

  • Exposição a fatores auxiliares que podem facilitar a sensibilização alérgica: apesar de controverso existe evidência convincente de que quer a poluição interior, caso do tabagismo, quer a poluição no ambiente exterior aumentam a prevalência da doença atópica.

Diagnóstico de rinite alérgica 6

A rinite alérgica quase sempre pode ser diagnosticada apenas com base no histórico do paciente, por isso a importância de estarmos atentos aos sintomas e ao tempo que eles vêm ocorrendo. Isso facilita a análise médica auxiliando para um diagnóstico assertivo.

Geralmente testes diagnósticos não são necessários, porém, nos casos em que o paciente não apresenta melhora depois de iniciado o tratado, são indicados testes cutâneos (na pele) para identificar se há reação a polens (sazonais) ou a fezes de ácaros presente na poeira, baratas, pelos de animais, fungos ou outros. O resultado desses testes é utilizado para orientar tratamento adicional.

O teste de punctura é o mais utilizado devido ao menor índice de falso-positivo e à facilidade de realização.

Além dos testes cutâneos, há uma série de outros testes que podem ser indicados caso os resultados dos testes cutâneos sejam ambíguos ou os estes não possam ser feitos, como quando o paciente toma alguma medicação que interfere no resultado, por exemplo. Nesse caso, são realizados os testes de dosagem sérica da IgE total, dosagem sérica de IgE específica, provocação nasal e o exame de citologia nasal.

Tratamento para rinite ³

O esquema geral de tratamento baseia-se no controle da exposição aos antígenos e irritantes, chamado higiene ambiental. Quando esta não é suficiente para controlar os sintomas, adicionamos o uso de medicamentos como por exemplo os anti-histamínicos e descongestionantes, que trazem alívio rápido dos sintomas.

Em casos em que a associação de higiene ambiental e farmacoterapia não é suficiente para controlar os sintomas, ou existe alguma contra-indicação ao seu uso, também há a possibilidade de uso de vacinas com extratos alergênicos.

Como prevenir a rinite alérgica

Como vimos nesse texto, conviver com a rinite significa manter distância ou evitar ao máximo o contato com os alérgenos. Por isso, poeira, pelos de animais de estimação, pólen, fumaça de cigarro, ácaros, mofo e até mesmo perfumes e produtos de limpeza.

Mas, além disso, a prevenção também se inicia pela identificação do agente que desencadeia a alergia. Dessa maneira, os hábitos de cuidado, que vão desde a organização do quarto até os costumes de limpeza, acabam se tornando parte da rotina.

Dicas para evitar crises de rinite a serem adotadas em casa:

  • Evite o uso de carpetes, cortinas e tapetes.
  • Lave as roupas de cama, como lençóis e cobertas, em água quente.
  • Dê preferência ao uso edredons, uma vez que juntam menos poeira se comparado aos cobertores.
  • Utilize capas protetoras no colchão e travesseiros.
  • Evite bichos de pelúcia e almofadas.
  • Utilize pano úmido para remover a poeira dos móveis e demais objetos.
  • Dê preferência ao uso de aspiradores de pó ao invés de vassouras e espanadores, por exemplo.
  • Mantenha os ambientes bem-ventilados para evitar a criação de mofo e bolor.

E-book rinite

Toda rinite é alérgica? ², ³

Existem diversas formas de manifestação na doença, assim, o que a define é a causa da inflamação.

Pessoas que possuem um fator desencadeante constante de uma crise possuem a rinite alérgica. Já a rinite não alérgica é geralmente causada por uma infecção viral, como um resfriado, por exemplo.

Rinite não alérgica

Apesar de os sintomas da rinite não alérgica serem os mesmos da alérgica, uma característica os diferencia: eles não são sazonais. Ou seja, não sofrem mudanças de acordo com as estações do ano, como na primavera, por exemplo, que pode ser um problema para os alérgicos, já que a quantidade de pólen no ar aumenta consideravelmente.

A rinite do idoso ocorre após os 65 anos de idade, devido a mudanças fi siológicas da vascularização e dos tecidos conectivos do nariz.

Lista dos tipos de rinite não alérgica:

  • Infecciosa
  • Eosinofílica não alérgica
  • Idiopática
  • Irritativa
  • Ocupacional
  • Rinite do idoso
  • Hormonal
  • Rinite no esporte
  • Gustativa
  • Medicamentosa e por drogas
  • Rinite vasomotora
  • Atrófica
  • Viral aguda
  • Rinite crônica

Note que a rinite é uma condição de vai muito além da tão conhecida rinite alérgica, afinal, a rinite não alérgica possui grande variedade de tipos, mas elas podem ser tema de um outro texto.

Gostou desse texto? Então, acompanhe a Supera e compartilhe esse texto. Ajude a levar mais informação, saúde e bem-estar para as pessoas a sua volta!


Colaborou com esse artigo:

Médico revisor:
Dr. Leonardo Ruffing – Infectologista e Clínico Geral
CRM SP 129537


Referências bibliográficas e datas de acesso

1 – Climatempo – 12/04/2020

2 – MSD Manual – 12/04/2020

3 – MELLO JÚNIOR, João. F.; ROCHA, Fabiana M. N.; MION, Olavo. Rinites Alérgicas e Não Alérgicas. In: Willi Sarti. (Org.). Imunologia Clínica na Prática Médica. Ribeirão Preto: 2005.

4 – Saúde e Bem estar – 13/04/2020

5 – Tua saúde – 13/04/2020

6 – MSD Manual – 14/04/2020