Quais os sintomas da epilepsia? Conheça as diferentes formas da doença

Quais os sintomas da epilepsia - mulher caida no chão

Se alguém te perguntar quais os sintomas da epilepsia, o que vem primeiro à sua cabeça? Provavelmente, você vai dizer que são as convulsões. E você não estaria errado., pois uma convulsão, de fato, é a característica principal de uma pessoa com epilepsia. ¹

As convulsões são a forma mais grave e urgente de manifestação da epilepsia. No entanto, existem outras formas de crises epilépticas que precisam ser conhecidas. Principalmente porque elas são mais silenciosas e não chamam tanta atenção. ²

As crises podem ser, inclusive, quase imperceptíveis, como por exemplo mudanças no olhar. Por isso, nesses casos pode ser difícil que os pacientes e os familiares notem a doença e os impactos dela no organismo. ¹

Apesar de ser mais comum em crianças, ela também atinge jovens e adultos de qualquer idade. A epilepsia ocorre devido descarga elétrica, emitida pelos nossos neurônios de forma descontrolada. Pode acontecer de forma súbita, sem aviso; e eventualmente com o que chamamos de “aura”, uma sensação que anuncia o evento epiléptico. Nesses casos, a pessoa pode ver pontos ou ondas luminosas, ou por exemplo, uma dor diferente, um formigamento em parte do corpo, uma sensação diferente no estômago, etc.

Nem sempre o tempo livre das crises é igual, ou seja, o momento em que elas aparecem pode ser imprevisível. Do mesmo modo, cada crise pode ter tempo de duração diferentes. Mas a boa notícia é que, com medicamentos bem prescritos, a maior parte dos pacientes, independente da forma de manifestação, consegue ter uma vida normal e até mesmo ter longos períodos sem ter crise.

Por isso, vamos te explicar quais os sintomas da epilepsia e os diferentes tipos de manifestação da doença. 

Epilepsia - quais os sintomas e tratamentos

Convulsão e epilepsia não são – exatamente – a mesma coisa

Antes de explicarmos como funcionam as crises de epilepsia, precisamos explicar que convulsão e epilepsia não são a mesma coisa – assim como, normalmente, as pessoas confundem. Vamos explicar. Primeiramente, a convulsão é apenas das formas de manifestação da epilepsia. Mas uma convulsão pode ocorrer pontualmente, de forma isolada. ³

Por exemplo, é possível ter uma convulsão a partir de uma situação de febre alta – o que ocorre muito com crianças (mas não exclusivamente). Além disso, é possível ter convulsão por intoxicação por produtos químicos, falta de oxigênio no cérebro e reações adversas a medicamentos. ³

Por isso, a epilepsia não é a única doença que causa convulsão. O tétano, a meningite e tumores cerebrais também podem levar a casos assim. A diferença é que a epilepsia leva a casos recorrentes, ou seja, que vão e voltam. Mas epilepsia não se manifesta somente com as convulsivas, como vamos explicar a partir de agora.

Crises convulsivas – as mais perigosas e urgentes

Como já dissemos, existem vários tipos de crises epilépticas, mas o tipo mais comum e, igualmente, mais perigoso de manifestação da epilepsia são as convulsões. Conhecida na medicina como crise tônico-clônica, as convulsões fazem com que a pessoa de repente, ou com aviso prévio (como por exemplo, a aura), perca o controle do corpo. Assim, parte da musculatura do corpo passa a ter movimentos involuntários.

No entanto, o que é que acontece numa crise epiléptica convulsiva? Quais os sintomas da epilepsia quando ela ocorre dessa forma onde a pessoa cai e tem contrações musculares? 4

Características da crise convulsiva tônico-clônica

  • Perda da consciência.
  • Confusão mental.
  • Movimentos musculares involuntários e incontroláveis.
  • Queda.
  • Gosto estranho na boca.
  • Trincar os dentes.
  • Morder a própria língua.
  • Movimentos dos olhos mais rápidos.
  • Sons estranhos com a boca, como grunhidos.
  • Perda do controle da urina e do intestino.
  • Mudança repentina de humor.

Tipos de epilepsia - senhora paralisada numa cadeira acudida por duas jovens

Tipos de convulsão

As crises de convulsão ocorrem de diferentes maneiras. Por isso, elas podem ser resumidas em: crise simples, crise parcial, crise complexa e crise generalizada. A diferença entre a simples e a complexa é que na simples, o paciente não perde a consciência, enquanto na complexa a consciência é perdida.

Já a parcial ocorre quando apenas uma região do cérebro é afetado, atingindo apenas alguns grupos musculares, por exemplo movimentos de apenas uma perna, um braço, somente a boca, etc. diferentemente a crise generalizada é entendida quando o acometimento ocorre difusamente no cérebro, manifestando-se em vários grupos musculares do corpo, de ambos os lados. Na sequência alguns exemplos mais frequentes:

Convulsão focal simples

As crises focais simples podem ser: 4

    • Motoras – movimentos com espasmo, rigidez dos músculos e contrações musculares.
    • Autonômicas – Afeta o sistema nervoso dos órgãos; sendo assim, incluem dor de estômago, batimento acelerado do coração, diarreia, etc.
    • Sensoriais – ocorrem sensações estranhas em algum ou alguns dos 5 sentidos (visão, olfato, paladar, tato e audição).
    • Psíquicas – sensações como déja-vu, prazer, medo, tristeza e outros fenômenos mais complexos.

Crises parciais complexas

Desta forma, o paciente epiléptico pode ter momentos em que parece que o cérebro desliga. Ver alguém simplesmente ‘olhando pro nada’ ou ‘viajando’, pode ser um sinal de crise parcial complexa. 4

Igualmente, a pessoa pode começar a fazer movimentos sem propósito de forma repetida. Coisas como: estalar os dedos, ficar se mordendo, remexendo os braços de um lado para o outro, e muitos outros movimentos atípicos. 4

Convulsão generalizada

A convulsão generalizada é o que chamamos de crise convulsiva completa. Pode iniciar com sintomas focais, que evoluem para sintomas generalizados. Alguns sintomas como a confusão mental, dor de cabeça, indisposição podem permanecer por algum tempo após o fim da convulsão generalizada.

epilepsia de ausencia

Quais são os sintomas de epilepsia de ausência?

A epilepsia de ausência é mais comum entre crianças e adolescentes – mesmo assim, em casos raros, pode ocorrer em adultos. Ela é caracterizada por pequenos ‘apagões’ da consciência, começando a partir dos 4 anos de idade. Então, preste atenção se a sua criança tem, várias vezes ao dia, momentos de olhar fixo ou parece não entender o que está acontecendo ao redor. Depois dos momentos de lapso, as crianças e adolescentes não se lembrarão do que aconteceu. 5,6

A crise epiléptica de ausência dura, em média, de 5 a 20 segundos e não é uma característica muito grave. Esse tipo de crise é facilmente controlado com medicação e, geralmente, os resultados são bem promissores, chegando a desaparecer conforme a criança vai se tornando adolescente. 5

Epilepsia refratária – quando o corpo é resistente ao tratamento

Em geral, a maioria dos pacientes com epilepsia vive bem com o uso de medicamentos. É totalmente possível viver normalmente, sabendo quais os sintomas da epilepsia e controlando. Mas existem casos em que o corpo continua tendo crises, mesmo após o uso de medicamentos. É a isso que se dá o nome de epilepsia refratária ou epilepsia de difícil controle por medicamentos. 7

Quando ocorrer a epilepsia refratária, o paciente terá que fazer exames ainda mais complexos e que busquem um tratamento individualizado. Alguns pacientes nesta condição – mas não todos – poderão até passar por uma cirurgia, que pode melhorar significativamente a condição da pessoa. 7

Outras opções de tratamento para epilepsia refratária: 7

      • Neuromodulação com o uso de um aparelho que vai estimular a diminuição da frequência das crises.
      • Uso de outros medicamentos que não sejam os já utilizados – sempre com prescrição de um médico especialista em epilepsia.
      • Dieta cetogênica, que tem foco no aumento do consumo de gorduras boas e diminuição na ingestão de carboidratos. A dieta deve ser feita somente por recomendação de um nutricionista com acompanhamento do médico.

Dados da OMS - médico segurando uma fita roxa

Dados da OMS sobre a epilepsia

O relatório mais recente, de 2019, feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre epilepsia traz informações e atualizações bastante relevantes: 8

        • 70% dos pacientes consegue ter uma vida normal somente com o uso controlado de medicamentos.
        • Apesar disso, o risco de morte prematura em pacientes epilépticos é 3 vezes maior.
        • Mais de 50 milhões de pessoas no mundo convivem com a doença, o que a torna uma das doenças neurológicas mais comuns.
        • Pessoas epilépticas ainda enfrentam discriminação na sociedade, o que, claramente, tem impacto na qualidade de vida dessas pessoas.
        • A maior incidência é em países subdesenvolvidos, onde há maior risco de doenças infecciosas endêmicas, como a malária e a neurocisticercose. Complicações durante o parto, e traumatismos crânio encefálicos. Além disso, nesses lugares há menor investimento em políticas publicas destinadas a prevenção desse agravo.

Quais as causas da epilepsia?

Apesar de existirem vários fatores que podem levar ao desenvolvimento da epilepsia, a causa da doença ainda é desconhecida em 50% dos casos em todo o mundo. Muita gente nem mesmo sabe quais os sintomas da epilepsia, menos ainda quais as suas causas. 8

Por isso, é importante esclarecer que as causas da epilepsia podem ser estruturais, genéticas, infecciosas, metabólicas imunológicas e, como já citamos, em alguns casos, desconhecidas, ou seja, quando mesmo com exames é impossível determinar.

Veja alguns exemplos práticos de causas da epilepsia:

      • Lesão cerebral de causas pré-natais ou perinatais (por exemplo, perda de oxigênio ou trauma durante o nascimento, baixo peso ao nascer).
      • Anomalias congênitas ou condições genéticas com malformações cerebrais associadas.
      • Um grave ferimento na cabeça.
      • Derrame (acidente vascular cerebral) que restrinja a quantidade de oxigênio para o cérebro.
      • Infecção do cérebro, como meningite, encefalite ou neurocisticercose, certas síndromes genéticas.
      • Tumor cerebral.

Como prevenir a epilepsia?

Ainda com base no relatório de 2019 da OMS, estima-se que pelo menos 25% de todos os casos de epilepsia poderiam ser evitados. Principalmente aqueles que tem um claro fator de causa. 8

      • Prevenindo acidentes que possam causar traumatismo craniano, já que existe a epilepsia pós-traumática.
      • Cuidados perinatais (a partir da 22ª semana de gravidez) que possam reduzir as chances de lesões no parto.
      • Ter hábitos saudáveis que ajudem a impedir um acidente vascular cerebral – como prevenir a hipertensão, colesterol alto, diabetes, obesidade, entre outros.
      • Em locais de baixa renda, há mais chances de infecção no sistema nervoso centro causado por parasitas; nesses casos, higiene e informação são, de fato, bastante eficazes.

Como ajudar alguém que está tendo uma convulsão?

Qualquer um de nós, a qualquer momento, pode estar ao lado de alguém que venha a sofrer uma convulsão. Então, o que fazer? Como prestar socorro de forma correta? Listamos algumas dicas que podem ajudar – e muito! 9

      • Primeiramente, é importante manter a sua calma e a calma das pessoas que estão ao redor.
      • Se possível, evite que a pessoa caia bruscamente no chão, pois ela pode se machucar.
      • Retire os objetos que possam causar mais acidentes de perto.
      • Procure algo macio para acomodar a cabeça da pessoa – pode ser um travesseiro ou mesmo uma blusa dobrada.
      • Coloque a pessoa de lado para que a saliva ou o vômito caiam fora da boca, evitando que ela sufoque.
      • Afrouxe as roupas da pessoa para ela respirar melhor.
      • Fique ao lado da pessoa até ela voltar à consciência.
      • Fique atento ao tempo – se passar de 5 minutos sem sinal de melhora, chame um médico imediatamente.

O que não fazer durante a crise convulsiva

Enquanto a pessoa estiver se debatendo, não tente contê-la. De fato, é menos prejudicial se você simplesmente retirar de perto os objetos que possam machucar. Além disso, nunca coloque a mão na boca da vítima.  Isso vai atrapalhar ainda mais a respiração dela. Por esse mesmo motivo nunca use  água para tentar “acordar” a pessoa, pois isso pode fazer com que ela se afogue. Também é importante lembrar que ainda que sem intenção, ela pode te morder e machucar.  

Muita gente acha que, durante uma convulsão, é possível que a pessoa enrole ou engula a língua. Isso é um mito. O que ocorre é um relaxamento do músculo que faz com que ele possa obstruir a passagem do ar, por isso é importante afrouxar as roupas e evitar a aglomeração em volta dela. 10

***

Como vimos até aqui, a epilepsia atinge milhões de pessoas e, é possível que alguém perto de você sofra com isso. Ainda há um longo caminho até que isso não seja mais um estigma ruim para os pacientes e isso precisa mudar. Mas, se você leu até aqui, já sabe não apenas quais os sintomas da epilepsia como também tem em mãos várias outras informações valiosas que podem ajudar muitas pessoas. Por isso, compartilhe com mais alguém. Ajude-nos a levar conhecimento sério e verificado. 

Para não perder mais dicas importantes para a sua saúde, siga nossas páginas nas redes sociais, Instagram e Facebook,. Obrigada pela visita!

Até a próxima!


Colaborou com esse artigo:

Dr. Leonardo Ruffing

Clínico geral – CRM/SP 129537


Referências bibliográficas e a data de acesso:

1. Hospital Albert Einstein – 28/10/2020

2. Ineuro – 28/10/2020

3. Ministério da Saúde – 30/10/2020

4. Minha vida – 28/10/2020

5. ADA – 28/10/2020

6. ABC MED – 30/10/2020

7. Neuro Med  – 28/10/2020

8. Organização Mundial da Saúde – 28/10/2020

9. Associação Brasileira de Epilepsia – 28/10/2020

10. Creche segura – 30/10/2020