Cervicite crônica ou aguda: causas, sintomas e tratamentos

cervicite crônica

A cervicite é uma inflamação que ocorre na parte inferior do colo do útero, que protege o órgão, as trompas, os ovários e a cavidade abdominal de bactérias e infecções genitais baixas. Existem dois tipos de cervicite, a crônica e a aguda. Neste artigo, falaremos um pouco sobre cada uma delas, assim como sobre suas causas, sintomas e tratamentos. 1

Quer saber mais? Então, continue a leitura e confira tudo sobre o tema.

Sintomas da cervicite

Na maioria dos casos a cervicite crônica ou aguda é assintomática, ou seja, a pessoa não sente nenhum tipo de desconforto causado pela inflamação. Em casos assim, o problema só  aparece nos exames ginecológicos de rotina. Daí a importância de visitar o especialista regularmente, afinal, uma cervicite não tratada pode levar a complicações graves. Nós falaremos sobre essas complicações mais para a frente.

Apesar de ser muito mais comum que não haja sintomas, existem sim alguns casos em que eles se fazem presentes. Confira os principais sintomas da cervicite:

  • Corrimento vaginal excessivo.
  • Vontade de urinar acima do normal.
  • Ardência ao urinar.
  • Dor durante a relação sexual.
  • Sangramento vaginal não associado ao período menstrual.
  • Sangramento após a relação sexual, não associado ao período menstrual.

É importante fazer uma visita ao médico caso você tenha um ou mais desses sintomas. Dessa forma, o profissional pode avaliar qual a causa do problema e prescrever o tratamento adequado para cada caso.

Tipos de cervicite

Antes de mais nada, vale lembrar que independentemente do tipo, a cervicite é sempre uma inflamação do colo do útero. Agora, vamos conferir as diferenças entre a cervicite crônica e a aguda.

Cervicite crônica

A cervicite crônica é causada por traumas (machucados no colo do útero) ou reações alérgicas a produtos químicos, absorventes internos, diafragma, látex de preservativos, duchas vaginais, cremes, lubrificantes, etc.

Cervicite aguda

A cervicite aguda é causada por infecções de bactérias, vírus ou fungos. Frequentemente, é assintomática. São associadas principalmente a infecções sexualmente transmissíveis, por exemplo.

Causas da cervicite

cervicite crônica

Acima, explicamos de forma breve as causas mais comuns para cada tipo de cervicite. Agora, vamos nos aprofundar um pouco mais em cada uma dessas causas, além de abordar outros possíveis causadores do problema.

Infecções sexualmente transmissíveis

São de fato as causas mais comuns para a cervicite. Diversos tipos de ISTs podem levar ao problema, sendo as principais delas a gonorréia, clamídia, tricomoníase e herpes genital, por exemplo.

Supercrescimento bacteriano

De fato, existem diversas bactérias presentes no corpo humano que desempenham papéis fundamentais para o bom funcionamento do organismo e suas funções. Mas quando essas bactérias que normalmente estão presentes na região íntima feminina crescem em excesso, pode ocorrer a cervicite.2

Reações alérgicas

Diversos tipos de agentes podem de fato causar uma reação alérgica que leva à cervicite. Como por exemplo os produtos de higiene feminina, como absorventes, desodorantes e sabonetes íntimos. Além disso, algumas mulheres podem ter alergia ao látex de preservativos ou lubrificantes e outros produtos utilizados durante a atividade sexual. Outras possíveis causas são duchas vaginais e alguns métodos contraceptivos, por exemplo.

Como saber se é cervicite

Você deve procurar um ginecologista se apresentar qualquer um dos sintomas citados acima. Ainda assim, como dissemos, a cervicite normalmente é assintomática. Pensando nisso, é fácil imaginar: a única forma de saber se você tem a complicação é indo ao ginecologista regularmente.

O ideal, em geral, é que as consultas de rotina aconteçam pelo menos uma vez ao ano. Apesar disso, existem os casos que o acompanhamento precisa ser bem mais frequente, como em casos onde há algum tipo de complicação ginecológica.

Agora, vamos conferir quais são os exames capazes de identificar a cervicite? Confira:

Exame pélvico bimanual

O médico faz um exame de toque inserindo o dedo no canal vaginal e, ao mesmo tempo, aplicando pressão no abdome e na pelve com a outra mão. Dessa forma, o ginecologista é capaz de detectar anormalidades que possam existir nos órgãos pélvicos, incluindo o colo do útero e o útero.

Exame de Papanicolau

Também conhecido como exame preventivo, consiste na coleta uma amostra de células da vagina e do colo do útero. Essas células, então, são testadas para anormalidades. Esse exame de fato é muito importante e precisa ocorrer anualmente em mulheres saudáveis. Entretanto, mulheres que já apresentaram complicações podem precisar repetir o exame com mais frequência, conforme orientado pelo médico. O exame identifica muitas outras condições além da cervicite.

Biópsia cervical

Esse tipo de exame costuma ser solicitado apenas quando Papanicolau detecta algum tipo de anormalidade. Nesse teste, também chamado de colposcopia, o médico insere um espéculo na vagina, que é um aparelho que permite uma análise mais precisa do colo do útero. Eles então pegam um cotonete e limpam suavemente os resíduos de muco da vagina e do colo do útero.

O médico examina o colo do útero com um colposcópio, que é um tipo de microscópio, e examina a área. Em seguida, é feita a coleta de amostras de tecido de todas as áreas que parecem anormais, a fim de identificar qual o problema através de testes em laboratório.

Cultura de descarga cervical

O ginecologista também pode solicitar a coleta de uma amostra da secreção do colo do útero. Essa amostra é então examinada no microscópio a fim de verificar se há sinais de infecção, que pode incluir candidíase e vaginose, entre outras condições.

Você também pode precisar de testes para ISTs, como a tricomoníase, por exemplo. Se você tiver uma IST (infecção sexualmente transmissível), precisará de tratamento para curar a cervicite. 3

Quais são os tratamentos para a cervicite

cervicite crônica

Existem diversas opções quando o assunto é tratamento para cervicite. Após o diagnóstico, o médico, antes de mais nada, avalia alguns fatores para determinar a abordagem de tratamento mais adequada para cada caso. Esses fatores são:

  • A saúde da paciente em geral.
  • O histórico médico da mulher.
  • A gravidade dos sintomas.
  • Qual a extensão da inflamação.

O tratamento mais comum costuma ser a administração de antibióticos para combater a infecção, que frequentemente é bacteriana. Se a cervicite é causada por um trauma, alergia a um corpo estranho ou ao uso de certos produtos, o tratamento varia. Em casos assim, pode ser necessário retirar qualquer corpo estranho que tenha ficado preso na região, ou simplesmente interromper o contato com o agente que causa a irritação.

Vale lembrar que em casos de alergia ao látex de preservativos, não se deve optar por não usar preservativos, pois isso aumenta o risco de ISTs, o que por sua vez, pode levar a casos ainda mais graves de cervicite e outras condições graves. Nesses casos, o melhor é procurar por opções de preservativos que sejam antialérgicos, fabricados com outro tipo de material que não o látex.

Em casos de cervicite causadas por câncer cervical ou pré-câncer, o médico pode realizar a criocirurgia. Esse procedimento consiste em congelar as células anormais no colo do útero, o que as destrói. Sem tratamento, a cervicite pode durar anos, levando à relações sexuais dolorosas e piora dos sintomas.

Complicações relacionadas à cervicite

De fato, quando não há o tratamento adequado, a inflamação do colo do útero pode levar à consequências mais graves. Os principais riscos são:

  • A propagação da inflamação para outras regiões, como útero, bexiga, endométrio, ovários e trompa de Falópio, o que leva à doença inflamatória pélvica (DIP). Essa doença, por sua vez, pode levar à infertilidade ou à gravidez ectópica. Gravidez ectópica é quando o óvulo fecundado se aloca em um lugar que não é o útero, e o feto não sobrevive. Além disso, quando há a ruptura de uma gravidez ectópica, a mulher costuma ter dor abdominal e sangramento. Se a mulher não receber o tratamento adequado a tempo, a complicação pode ser fatal.
  • O risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV, por exemplo, é maior em mulheres com cervicite não tratada.
  • Gestantes com cervicite não tratada correm um risco aumentado de sofrer um aborto espontâneo ou de ter um parto prematuro.
  • É possível, ainda, que a cervicite seja resistente e não se cure, mesmo com o tratamento adequado. Igualmente, existem casos em que a inflamação volta a aparecer logo após o tratamento.4

Prevenção da cervicite

Antes de mais nada, saiba que os cuidados para prevenir a cervicite não são recomendados apenas para quem já teve a inflamação, e sim para todas as mulheres. Confira as principais formas se evitar a complicação:
  • Use preservativo em todas as relações sexuais. Se estiver tentando engravidar, certifique-se realizar que os exames para detectar ISTs estejam em dia, tanto seus quanto de seu parceiro.
  • Caso sinta desconforto ao usar preservativos de látex, teste os preservativos livres do material, que geralmente são antialérgicos.
  • Realize a higiene adequada de qualquer superfície que entre em contato com a sua região íntima.
  • Troque os absorventes internos com o intervalo adequado, conforme orientado pelo fabricante.
  • Tenha uma boa higiene íntima, mas evite as duchas vaginais, com exceção de quando há recomendação médica.

**

Esse foi o nosso artigo sobre a cervicite crônica e a cervicite aguda. Se você achou o conteúdo informativo e encontrou as informações que procurava sobre o tema, não deixe de nos acompanhar nas redes sociais Instagram e Facebook, dessa forma, você fica por dentro de mais conteúdos relevantes e completos sobre saúde e prevenção de doenças.

Obrigada pela leitura, até logo!


Colaborou com esse artigo:

Dr. Ricardo Hideki Nozuma.

CRM: 108088.

Medicina & Estetica 4 seasons.


Referências e datas de acesso:

1- Minha Vida – Acesso em 28/05/2021.

2- Mayo Clinic – Acesso em 28/05/2021.

3- Healthline – Acesso em 28/05/2021.

4- Tua Saúde – Acesso em 28/05/2021.