Alzheimer e Parkinson: você sabe qual é a diferença?

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Você sabe qual é a diferença entre as doenças de Alzheimer e Parkinson? Embora existam algumas semelhanças, elas são completamente diferentes e por isso precisam de tratamento e cuidados distintos. Continue a leitura e entenda melhor as duas condições.

Condições neurológicas degenerativas ¹

“Condição neurodegenerativa” é um termo genérico utilizado para uma série de condições que afetam os neurônios do cérebro humano; algo mais comum na terceira idade e acomete, geralmente, pessoas com mais de 65 anos.

Os neurônios são a unidade-base do sistema nervoso (cérebro e medula espinhal). De modo geral, os neurônios não se reproduzem, ou seja, quando sofrem lesões ou morrem não podem ser substituídos.

Essa característica dos neurônios torna as doenças neurodegenerativas condições irreversíveis e que, com o passar do tempo, tornam-se debilitantes, prejudicando a qualidade de vida dos pacientes, trazendo como consequência a degeneração progressiva e/ou morte dos neurônios. Causando, assim, problemas de movimento (ataxias), que é o prejuízo ao movimento ou à coordenação motora, ou de função mental (demências).

O Alzheimer e a doença de Parkinson são alguns dos exemplos de doenças neurodegenerativas.

Doença de Alzheimer

O Alzheimer é considerado uma doença neurodegenerativa por danificar e matar as células cerebrais, provocando a diminuição das funções cognitivas. Na fase inicial, o paciente tem perda de memórias recentes e, progressivamente, passa a sofrer impactos na capacidade de aprendizado, atenção, orientação, compreensão e linguagem, por exemplo.

Assim, com a evolução do quadro, o paciente fica cada vez mais dependente da ajuda dos familiares, até mesmo para as atividades básicas do dia a dia, como higiene pessoal e alimentação. Esse é um dos motivos que fazem do Alzheimer uma das doenças mais incapacitantes na terceira idade.

O Alzheimer não tem cura, mas pode ter os sintomas controlados e retardados com os tratamentos médicos específicos, ou seja, uso de medicação e tratamento com equipe multidisciplinar.

Doença de Parkinson ²

A doença de Parkinson ocorre quando o sistema nervoso sofre degeneração em uma pequena e profunda região do cérebro – os gânglios basais. Essa degeneração das células nervosas nos gânglios basais gera menor produção de dopamina, diminuindo o número de conexões entre as células nervosas nessa região do cérebro.

As consequências da deficiência de dopamina, responsável por controlar os movimentos finos e coordenados, são os tremores, a rigidez muscular e a dificuldade em iniciar qualquer movimento voluntário.

Embora a doença ainda não tenha cura, atualmente existem tratamentos que incluem medicamentos combinados à fisioterapia, terapia ocupacional, psicoterapia e fonoaudiologia, que controlam os sintomas do Parkinson.

Alzheimer e Parkinson: entenda melhor as duas condições

Por se tratar de doenças que aparentam algumas semelhanças, é comum que as pessoas acabem por se confundir, isso acontece por falta de informação. Para começar a esclarecer essa diferença entre Alzheimer e Parkinson, vamos ver primeiro as semelhanças:

  • As duas doenças afetam o sistema nervoso central;
  • Nos dois casos, pessoas acima dos 65 anos são mais acometidas;
  • Ambas são doenças degenerativas, progressivas e sem cura;
  • Ambas causam demência, no Parkinson, isso ocorre em casos avançados.

Apesar disso, elas atingem regiões diferentes do cérebro e por isso impactam a vida do paciente também de maneira diferente. Sendo, portanto, condições complemente diferentes e por isso precisam de tratamento e cuidados distintos.

Parkinson e Alzheimer - diferencas e semelhancas

Diferença entre Alzheimer e Parkinson

Para entender melhor, vamos desenvolver as informações do infográfico.

Sintomas mais visíveis ³

O sintoma mais comum do Alzheimer é a perda de memória. A doença também compromete a capacidade de pensar com clareza, tomar decisões, lidar com dinheiro e até mesmo de orientar-se no ambiente e no tempo. Outro sinal é a dificuldade de usar as palavras corretamente numa conversa comum.

Já no Parkinson, o tremor nas mãos é o sinal mais comum da doença, mas ele pode afetar outras regiões do corpo, principalmente em fases mais avançadas. A doença de Parkinson pode comprometer os músculos responsáveis pela fala e alimentação, a capacidade de sentir cheiros e ainda causar dificuldades para andar. 4

Incidência conforme o sexo

O risco de uma mulher desenvolver o Alzheimer aos 65 anos é de 1 em 6, o que representa quase o dobro do risco de ela ter câncer de mama. 5

Já os homens podem apresentar o dobro de risco de desenvolver doença de Parkinson em relação às mulheres. 6

Relação com a locomoção

O Alzheimer não tem tanta influência sobre o sistema motor quanto o Parkinson, especialmente nas fases iniciais da doença.  Por outro lado, andar sem rumo, esquecer-se onde está e para onde está indo é um episódio comum nos portadores de Alzheimer.

O Parkinson, inicialmente causa rigidez muscular e tremores. À medida que evolui, a pessoa pode apresentar mudanças na postura e passos mais curtos e mais lentos. Em estágio avançado, o indivíduo com Parkinson também pode ter muita dificuldade para conseguir andar.

Relação com a demência

A principal característica do Alzheimer é o comprometimento contínuo das funções intelectuais. A doença é a forma mais comum de demência. Em contrapartida, os problemas com a falta de memória e raciocínio lógico se manifestam desde o início da doença.

Já no caso do Parkinson, por si só a doença não causa demência. Por isso, nem todas as pessoas com doença de Parkinson desenvolvem esta condição. Por outro lado, ela pode ocorrer em um terço dos pacientes, o que geralmente acontece apenas em uma fase muito avançada da doença.

É possível ter Alzheimer e Parkinson ao mesmo tempo? 7

A resposta a essa questão, inicialmente, é não. Uma vez que são doenças muito diferentes em seus mecanismos de ação. Ou seja, alguma discreta mudança cognitiva pode ocorrer no paciente com Parkinson, mas esta é uma característica importante no Alzheimer. Assim, o que causa muita confusão entre as pessoas, incluindo médicos não neurologistas, é a possibilidade de haver sintomas tipicamente vistos em uma delas aparecendo na outra.

Nesse sentido, é preciso considerar que uma pessoa com doença de Parkinson pode sofrer alterações leves de memória, enquanto outra pessoa com doença de Alzheimer pode apresentar tremores, por exemplo. Contudo, nestes casos, os sintomas incomuns são originados pela mesma doença que a pessoa já tinha. Na dúvida, sempre busque avaliação e orientação de neurologista clínico.

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Referências bibliográficas e data de acesso:

1 – JPND Research – 02/07/2020

2 – MSD Manual – 02/07/2020

3 – Dr. Erich Fonoff – 02/07/2020

4 – Dr. Erich Fonoff – 02/07/2020

5 – Dr. Drauzio Varella – 02/07/2020

6 – Boa Saúde – 02/07/2020

7 – Doctoralia – 10/07/2020