Disbiose intestinal: o que é, causas, sintomas e tratamentos

disbiose intestinal

O corpo humano é complexo e certamente impressionante! Dentre as diversas formas que o nosso organismo tem para realizar suas funções básicas, está a microbiota intestinal, onde vivem colônias de bactérias importantíssimas para o bom funcionamento do nosso intestino. Entretanto, quando há alteração na distribuição e na quantidade dessas bactérias, isso pode levar à disbiose intestinal.

A disbiose intestinal pode causar dores de estômago e outros sintomas incômodos, mas que geralmente são temporários e leves. De fato, em muitos casos, o organismo corrige esse desequilíbrio sozinho. Ainda assim, nos casos em que os sintomas se agravam, é necessário consultar um médico para o diagnóstico e tratamento adequado1

Quer saber mais? Então continue a leitura para descobrir quais são as causas, sintomas, tratamentos e cuidados para a prevenção da disbiose intestinal.

O que é a disbiose

A disbiose intestinal é um problema causado devido uma alteração na quantidade e distribuição de bactérias na microbiota. Esse desequilíbrio é um problema pois existe o risco de levar a inflamações ou ainda a diminuição da capacidade do intestino de absorver nutrientes, o que por sua vez pode causar deficiências nutricionais. 2 Existem ainda muitas outras complicações relacionadas à disbiose, mas nós falaremos sobre elas com detalhes mais para frente.

Disbiose intestinal: causas

Existem diversas situações que podem causar o desequilíbrio que leva à disbiose. Confira quais são as principais delas:

  • Alimentação com excesso de proteínas ou açúcar e pobre em fibras;
  • Ingestão acidental de substâncias tóxicas, como os agrotóxicos presentes nas cascas de frutas que não foram lavadas corretamente, por exemplo;
  • Consumo de bebidas alcoólicas com frequência;
  • Tratamento recente com antibióticos;
  • Falta de higiene bucal adequada;
  • Níveis elevados de estresse e ansiedade;
  • Relações sexuais desprotegidas (sem uso de preservativos).

Disbiose intestinal: sintomas

Os sintomas para a condição podem muitas vezes serem leves e até mesmo passarem despercebidos. A manifestação sintomática depende muito dos tipos de bactérias que estão em desequilíbrio e do quão grave é o problema, podendo incluir: 1

  • dor abdominal (estômago ou intestinos);
  • eructação;
  • inchaço abdominal;
  • mau hálito;
  • náuseas;
  • constipação;
  • diarreia;
  • dificuldade para urinar;
  • coceira vaginal ou retal;
  • inchaço;
  • dor no peito;
  • erupção ou vermelhidão na pele;
  • fadiga;
  • problemas para organizar pensamentos ou se concentrar;
  • ansiedade e depressão.

Disbiose intestinal: riscos e complicações

disbiose intestinal

Apesar de ser um problema relativamente simples de se resolver, a falta de tratamento torna a disbiose um fator de risco para o desenvolvimento de diversos problemas. As principais complicações, que também são as mais comuns, são: intolerância à lactose, doença celíaca (intolerância ao glúten), síndrome do intestino irritável e doenças do sistema imunológico como artrite, lúpus e diabetes tipo 2, por exemplo. 2

Outras complicações relacionadas a disbiose são: 1

  • colite;
  • candidíase;
  • obesidade;
  • síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • doenças de pele;
  • doença hepática;
  • doença cardíaca ou insuficiência cardíaca;
  • câncer de cólon ou reto.

Consulte um médico imediatamente se sentir alguma dor de barriga incomum ou persistente ou irritações na pele, por exemplo. Certamente, quanto mais cedo o médico diagnosticar a condição, menor será a probabilidade de você desenvolver complicações mais sérias.

Disbiose intestinal: como é feito o diagnóstico

O diagnóstico médico da disbiose intestinal é realizado através da análise dos sintomas, histórico de saúde e também por exames específicos. Saiba quais são os exames mais comuns para identificar esses casos:

Indican

Esse exame é realizado através da análise de uma amostra da primeira urina do dia, ou quando a pessoa passa pelo menos 4 horas sem urinar, por exemplo. Como o próprio nome diz, o teste avalia a quantidade de Indican presente na amostra.

Indican é uma substância que nosso organismo produz naturalmente através da alimentação. Ela não é considerada um problema, mas quando encontrada em quantidades muito altas, pode indicar problemas na flora intestinal, o que muitas vezes é o suficiente para confirmar a disbiose.

Microbioma intestinal

É um tipo de exame de fezes que identifica os tipos e quantidades de bactérias e outros micro organismos presentes na flora intestinal. O objetivo é justamente saber se de fato existe um desequilíbrio bacteriano que indique a disbiose.

Muitas vezes o exame é indicado até mesmo quando já existe o diagnóstico. Isso porque ele auxilia o médico a escolher o tipo de tratamento mais adequado. Além disso, o exame também é importante para auxiliar o médico e/ou nutricionista a planejar uma dieta que colabore com o tratamento, o que é de fato essencial.

Teste de Hidrogênio Expirado

Apesar de ser menos comum, esse tipo de exame também pode ser solicitado para auxiliar no diagnóstico da disbiose. O teste consiste em fazer com que o paciente beba uma solução de açúcar e respire em um balão especial. O objetivo é testar os gases expirados e então identificar a quantidade daqueles que são produzidos por bactérias. Uma quantidade baixa de determinados gases pode de fato indicar um desequilíbrio bacteriano.

Disbiose intestinal: como é feito o tratamento

Antes de mais nada, vale lembrar que o tratamento é indispensável para evitar complicações. Então, já sabemos que o primeiro passo é seguir as recomendações médicas exatamente como o orientado. Os médicos costumam prescrever o tratamento levando em consideração, antes de tudo, a causa do desequilíbrio. Se o problema for resultado de uma alimentação inadequada, por exemplo, provavelmente será necessário mudar os hábitos alimentares.

Ainda que a alimentação seja de fato o principal pilar para combater a disbiose, existem ainda muitos outros passos envolvidos no processo. Vamos falar um pouco sobre cada um deles? Confira:

1- Alimentação

É bastante comum que pessoas com disbiose sintam uma sensação de desejo constante por açúcar. Essa sensação pode ser muito semelhante à que dependentes químicos em outras substâncias como cigarro e álcool sentem, por exemplo. Isso ocorre devido a um descontrole do crescimento de bactérias que se alimentam de açúcar. Esse é certamente um dos fatores que favorecem complicações como pré diabetes, diabetes e até mesmo obesidade.

A boa notícia é que ao reequilibrar a microbiota com o tratamento adequado, o desejo por doces também tende a passar, o que ajuda a combater essas complicações com mais facilidade. 3 É claro, não existem milagres para isso acontecer. É necessário adaptar a alimentação e abrir mão de certos hábitos. Confira quais alimentos evitar no combate e prevenção da disbiose: 1

  • Doces, açúcar e carboidratos, principalmente refinados;
  • Embutidos como linguiça, bacon e presunto;
  • Algumas frutas, como bananas, maçãs e uvas;
  • Laticínios como iogurtes, leites e queijos.
  • Consumo excessivo de proteína animal como carnes, peixe e ovos.

Agora, quando o assunto é o que comer, adicione ao cardápio: 2

  • Alimentos ricos em gordura insaturada, como azeite de oliva, abacate e amêndoas;
  • Fibras, presentes nos feijões, frutas com casca e vegetais frescos, etc;
  • Folhas verdes escuras, como espinafre e couve, por exemplo;
  • Alimentos e/ou suplementos ricos em probióticos, que são as bactérias boas para o intestino.

2- Controle do estresse e ansiedade

Esses fatores interferem e muito no tratamento, e certamente precisam de atenção quando o assunto é combater a disbiose. O ideal é procurar identificar e evitar (ou aprender a lidar com) as situações que geram estresse. Vale lembrar que os profissionais de saúde mental como psicólogos e psiquiatras podem ser de grande ajuda nesse processo.

Além da terapia e do acompanhamento profissional, existem diversas formas de aliviar o estresse para colaborar com o combate a disbiose, sendo os mais indicados:

  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Melhorar a qualidade do sono com práticas como a higiene do sono, por exemplo;
  • Fazer exercícios de meditação;
  • Separar um tempo livre para simplesmente relaxar ou ainda realizar atividades prazerosas;
  • Fazer pequenas pausas durante o dia para descansar a mente, evitando trabalhar ou estudar por várias horas seguidas e sem descanso, por exemplo.

3- Medicamentos

A orientação do médico quanto aos medicamentos pode ser tanto prescrever quanto interromper determinadas medicações. De fato, existem medicamentos que interferem negativamente no equilíbrio da flora intestinal. Por isso, se essa for uma das causas da disbiose, pode ser necessário interromper ou substituir essas medicações até segunda ordem.

Além disso, o médico também pode prescrever medicamentos para ajudar a controlar problemas relacionados à disbiose, como antibióticos que tratam infecções intestinais, urinárias ou a síndrome do intestino irritável. 1

Vale lembrar que muitos antibióticos causam alterações na flora intestinal, como a diarreia associada ao uso de antibióticos (DAA) e, quando tomados por muito tempo, podem de fato ocasionar alterações mais graves no organismo, como o crescimento de patógenos resistentes à ação do medicamento. ²

4- Suplementos

A suplementação de probióticos é certamente uma grande aliada no tratamento da disbiose e de algumas de suas complicações. A orientação médica é essencial para que esses suplementos sejam administrados de forma correta. Mantenha o tratamento durante o tempo orientado para que os resultados sejam consistentes.

Esse tipo de suplemento contém a quantidade e os tipos adequados de bactérias boas como os lactobacillus e as bifidobactérias, por exemplo. Além de auxiliarem a equilibrar a flora intestinal, eles ajudam a tratar os sintomas incômodos e melhoram a absorção dos nutrientes pelo intestino. 2

5- Transplante fecal

Esse tipo de tratamento é mais raro, afinal, só é indicado em casos de infecções intestinais muito frequentes e de difícil controle, especialmente nos casos de colite, provocados pela infecção por bactérias Clostridium difficile, e pela doença inflamatória intestinal, como a doença de Crohn.

O procedimento consiste em coletar as fezes de uma pessoa saudável e transferi-las para o intestino da pessoa com disbiose. Dessa forma, o equilíbrio da microbiota intestinal é alcançado com muito mais facilidade. 2

Esse foi o nosso artigo sobre a disbiose intestinal. Você encontrou as informações que procurava? Então não deixe de nos acompanhar no Instagram e também no Facebook para ficar por dentro de tudo sobre saúde e bem estar.

Obrigada pela leitura e até a próxima!


Colaborou com esse artigo:

Dr. Ricardo Hideki Nozuma.

CRM: 108088.

Medicina & Estetica 4 seasons.


Referências e datas de acesso:

1- helthline – Acesso em 30/07/2021.

2- Tua Saúde – Acesso em 30/07/2021.

3- Parsley Health – Acesso em 30/07/2021.