Dor generalizada pode ser fibromialgia? Entenda!

or fibromialgia e qualidade do sono.

Você tem ou conhece alguém que tenha dores constantes? Já se perguntou se essas dores podem ter a ver com alguma outra doença, como a fibromialgia, por exemplo? Então, esse artigo é para você!  Vamos explicar a relação entre dor e fibromialgia. Também iremos trazer mais detalhes sobre a síndrome que atinge em torno de 4 milhões de brasileiros, segundo as últimas estimativas.

Todos nós vamos ter dor em algum momento da vida. Sentir dor é natural e até mesmo “saudável”. Afinal de contas, a dor é um tipo de alarme, ela nos avisa quando estamos em perigo e também nos sinaliza quando algo em nosso organismo não vai bem. É o que acontece quando somos vítimas de alguma doença, por exemplo. ¹

Já imaginou como seria não sentir dor? Estaríamos expostos a muitos riscos. Por isso, sentir dor quando algo não vai bem é importante para manter a integridade do organismo. Doenças que alteram a sensibilidade podem fazer com que traumatismos e ferimentos que não sejam percebidos. É o caso das feridas que podem surgir nos pés dos diabéticos que não se cuidam, por exemplo. ²

Por outro lado, devemos estar alertas para dores que persistem por muito tempo. Não é normal não sentir nenhuma dor, mas sentir dor o tempo todo também é um mau sinal. É o caso da dor causada pela fibromialgia: um quadro crônico que pode prejudicar muito a qualidade de vida.

Mas antes de falar da relação entre dor e fibromialgia, vamos entender um pouco mais sobre dor:

DOR FIBROMIALGIA

Como funciona a dor ²

A sensação de dor surge em resposta à ameaças de dano nos tecidos. Por exemplo, quando um tecido sofre algum tipo de trauma, nosso organismo libera substâncias químicas no local, que são imediatamente sentidas pelas terminações nervosas.

As terminações nervosas, então, disparam um impulso elétrico que corre até a medula espinhal. Nessa região, um grupo especial de neurônios transmitem essa “mensagem dolorosa” para o nosso cérebro. Nesse momento o impulso será percebido, localizado e interpretado por nós em forma de dor.

Parece muita coisa, não é? Mas tudo isso acontece de forma muito rápida. Por isso, nossa percepção da dor é praticamente instantânea. Para se ter uma ideia da velocidade, é só pensar no tempo que demora entre encostarmos a mão num objeto quente, sentir a dor, e tirar a mão. É um processo quase automático. Ele serve como uma forma de proteção do nosso organismo.

A dor tem que passar ²

Embora a dor seja importante para que o nosso corpo possa se defender, ela também precisa ir embora, do contrário, estaríamos em constante sofrimento. Imagina se cada dorzinha que você já sentiu na vida durasse para sempre? Isso tornaria nossa vida impossível!

Então, nosso organismo também possui mecanismo de inibição da dor. Sua função é impedir que a dor fique lá por mais tempo do que o necessário. Acontece da seguinte maneira: os sinais que chegam ao cérebro também vão estimular a liberação de substâncias chamadas endorfinas e encefalinas, que diminuem o impulso elétrico, e junto, a sensação de dor.

Podemos dizer que parar de sentir dor é tão fundamental quanto perceber a dor. Se não fosse esse sistema, a dor de um pequeno corte permaneceria enquanto durasse o processo de cicatrização.

DOR FIBROMIALGIA

Dor crônica: um incômodo persistente

A dor crônica, por sua vez, é a dor que persiste além do necessário. Ela aparece quando nosso cérebro interpreta que a dor não está sendo resolvida. Isso torna nosso organismo mais sensível à dor, que fica mais forte e insistente. Para ser considerado um quadro de dor crônica, o incômodo deve persistir por mais de 3 meses. ¹

Outra causa comum para o surgimento da dor crônica é um desequilíbrio no mecanismo de inibição da dor, aquele que explicamos ali em cima. Isso faz com que a dor se torne frequente, mesmo quando a condição inicial que provocava a dor (seja uma doença ou uma lesão) já tenha sido curada. 2,3

Memória dolorosa ²

É importante entender, no entanto, que a dor crônica não é simplesmente uma versão prolongada da dor aguda. Em tempo, a dor aguda é a dor “normal” causada por uma lesão, machucado ou doença.

Na verdade, o que acontece é que quando os sinais de dor são gerados repetidamente, os circuitos neurológicos sofrem alterações. Então, isso torna o organismo muito sensível aos estímulos e mais resistente aos mecanismos que inibem a dor. Isso cria uma espécie de “memória dolorosa” que fica guardada na medula.

Estudos recentes têm demonstrado que essa “memória dolorosa” está ligada a mediadores químicos muito semelhantes aos envolvidos no processo intelectual de memorização. Entenda mais sobre dor, baixando nosso e-book sobre o tema:

Portanto, concluímos que as dores crônicas podem surgir tanto por desordens do sistema responsável pela percepção quanto da inibição da dor, ou ainda pela não resolução do problema causador. A fibromialgia, por exemplo, causa dores musculares crônicas e acontece por causa de um desequilíbrio nos mecanismos de inibição da dor. ²

Vamos entender mais sobre fibromialgia a seguir:

Dor e fibromialgia

A fibromialgia é uma síndrome crônica que causa dor ou aumenta a percepção da dor. Os principais sintomas incluem, por exemplo:

  • Dor generalizada em todo o corpo.
  • Fadiga (sensação cansaço físico ou esgotamento mental).
  • Possíveis distúrbios do sono.
  • Problemas de memória e concentração.
  • Transtornos emocionais como depressão, tristezas e crises de ansiedade.

Com frequência, a fibromialgia pode estar associada a outras condições em que as sensações dolorosas do corpo são maiores, como, por exemplo, a síndrome do intestino irritável e dor de cabeça. 4

O diagnóstico da fibromialgia é clínico e não requer exames, a menos que seja para descartar outras possíveis doenças, como artrite e artrose, por exemplo. Falaremos a seguir sobre a diferença entre as doenças:

Dor: Fibromialgia x Artrite x Artrose

As três condições são enfermidades que acometem o aparelho locomotor, ou seja: ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Por isso, elas são consideradas doenças reumáticas degenerativas. Todas elas têm em comum a dor crônica como um sintoma importante. Entretanto, a causa, muitos dos sintomas e manifestação das doenças são diferentes. 5

Entenda melhor a diferença entre as doenças a seguir:

Dor e Artrite

A artrite é um sintoma e não uma doença, comum em várias doenças reumatológicas. Ela ocorre nas doenças articulares mais comuns, como por exemplo na osteoartrite (mais conhecida como artrose). A artrite é definida como dor, inchaço e uma vermelhidão que pode levar à falta de movimento total ou parcial da articulação. A artrite reumatoide é uma doença autoimune que causa a inflamação das articulações (geralmente das mãos e pés). As articulações ficam inflamadas, inchadas e doloridas, também pode haver aumento da temperatura e vermelhidão nas áreas afetadas. A artrite é uma inflamação. Sem o tratamento adequado, a artrite reumatoide pode chegar a outros órgãos como pulmão, coração, pele, olhos. 6,7

Artrose

A artrose (também conhecida como osteoartrite) não é uma doença autoimune e nem acomete outros órgãos. O principal prejuízo da doença é o desgaste da cartilagem (degeneração articular) que recobre as extremidades dos ossos. Entretanto, ela também pode estar associada a um processo inflamatório. Muitas vezes pode estar ligada ao excesso de sobrecarga articular: obesidade, carregar peso, trauma articular, cirurgias e etc. O sintoma mais comum é a dor nas articulações das mãos, do pescoço, da região lombar, dos joelhos e dos quadris. 7

Fibromialgia

A fibromialgia causa dor crônica e generalizada no corpo todo, mas não apresenta inflamação nos locais de dor. A fibromialgia é acompanhada de sintomas típicos, como sono não reparador (sono que não descansa) e cansaço. Também é comum distúrbios do humor como ansiedade e depressão, e muitos pacientes queixam-se de alterações da concentração e de memória. 4

fibromialgia pontos de dor

A polêmica sobre pontos de dor e fibromialgia

Há pouco tempo atrás, o diagnóstico da fibromialgia considerava a presença de sensibilidade em pelo menos 11 de 18 pontos específicos. Esse critério foi alvo de muitas críticas pela comunidade científica, pois se tratava de um critério muito subjetivo, já que os resultados poderiam variar muito dependendo da interpretação do avaliador e da “força” da pressão exercida pelo médico na hora do exame.

Alguns pesquisadores discutiam a excessiva valorização da dor, e a pouca atenção dada aos outros sintomas, como por exemplo, a fadiga, os distúrbios do sono, a rigidez matinal e outros. No entanto, a dor à palpação ainda é bastante comum, por isso alguns especialistas continuam a avaliar este sinal. 8

Por outro lado, o American College of Rheumatology  (ACR) elaborou em 2010 novos critérios para o diagnóstico, que incluíam vários sintomas e excluíam a palpação dos pontos dolorosos. Esses critérios sofreram modificações e ainda estão em análise pela comunidade médica reumatológica.

Por isso, os pontos dolorosos não são mais a única forma de fazer o diagnóstico, que passou a ser avaliado também pelas outras queixas dos pacientes, baseando-se na presença e gravidade da fadiga, sono ruim e na dificuldade cognitiva.9

Um artigo de 2017, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, disponível aqui, sugere que o diagnóstico da fibromialgia seja feito avaliando tanto os critérios antigos, quanto os mais atuais, avaliando os pontos dolorosos, mas também prestando atenção aos demais sintomas, pois isso parece melhorar a eficácia do diagnóstico.

Tratamento para dor da fibromialgia 8

O tratamento para fibromialgia leva em conta as seguintes recomendações:

  • Alongamento, tratamento com calor e massagem nos locais onde há dor;
  • Praticar atividade física para melhorar o condicionamento. Por isso, os exercícios aeróbicos são os mais recomendados, começando de forma leve e aumentando a intensidade muito gradualmente.
  • Melhorar a qualidade do sono, evitar o consumo de cafeína e outros estimulantes durante a noite, promover um ambiente tranquilo e escuro em uma cama confortável, por exemplo.
  • Reduzir o estresse, pois ele tende a piorar a condição geral de saúde e a qualidade do sono;
  • Medicamentos conforme recomendação médica;
  • Exercícios com respiração profunda, como por exemplo, meditação e terapia, que tem o propósito de treinar nossa mente para estar consciente do momento presente, evitando o “piloto automático” e a ansiedade.

Agora que você conhece mais sobre essa patologia, fique atento. Principalmente se você sofre de dor há mais de 3 meses. Procure um médico, pois ao contrário do que muitos pensam, viver constantemente com dor não é normal!

Não há motivos para se acostumar com essa companhia tão desagradável. Então, cuide da sua saúde e do seu bem-estar!


Colaborou com este artigo:

Dr Ricardo Hideki Nozuma,

CRM 108088.

Medicina & estética 4 seasons.


Referências bibliográficas e datas de acesso

1 – Unimed – 25/01/2021

2 – Drauzio Varella: Artigo 1 – 25/01/2021

3 – Minha Vida: Artigo 1 – 25/01/2021

4 – Sociedade Brasileira de Reumatologia – 25/01/2021

5 – Ministério da Saúde – 25/01/2021

6 – Manual MSD – Artigo 1 – 25/01/2021

7 – Minha Vida: Artigo 2 – 25/01/2021

8 – Manual MSD – Artigo 2

9 – SciELO