Anticoncepcional durante amamentação: 5 dúvidas mais comuns

Hoje vamos falar sobre anticoncepcional durante amamentação. Um assunto cercado de mitos e medos: a amamentação é mesmo um contraceptivo natural? Será que a pílula anticoncepcional pode fazer mal para o bebê? Anticoncepcional seca o leite? Esse artigo vai responder estas e outras dúvidas comuns sobre o tema.

Mas antes de mergulhar no assunto, é preciso entender o período pós parto. Muitas vezes este pode ser um momento onde todos os olhares se voltam  para o bebê, no entanto, é muito importante lembrarmos que essa fase é, sobretudo, uma experiência da mulher: um momento de encontro e reencontro. Encontro com este novo e pequenino ser humano que acaba de nascer, e o reencontro com o seu próprio corpo, que deixou de ser abrigo para tornar-se colo.

Entre os inúmeros desafios dessa fase, o resgate da individualidade e os cuidados com a saúde feminina são questões que merecem mais visibilidade, uma vez que é essencial levar em conta o bem-estar da maior cuidadora do recém-nascido: a mãe.

Puerpério

Também conhecido como puerpério, os primeiros meses de pós  parto trazem inúmeras transformações: físicas e psicológicas. São muitas mudanças e todas elas acontecendo em um curto espaço de tempo. Juntas, alterações hormonais e psíquicas podem aumentar a insegurança da mãe em relação aos cuidados necessários para garantir a saúde do seu bebê e a dela própria. ¹

O puerpério tem início logo após o nascimento do bebê, com o descolamento da placenta, e permanece por mais ou menos 6 semanas, por isso ele é popularmente chamado de quarentena. Como requer cuidados especiais, ele também é conhecido como resguardo.

É importante lembrar que o puerpério pode durar mais tempo, isso acontece porque enquanto a mulher amamenta, ela continua sofrendo modificações corporais.

anticoncepcional pos parto

Para contribuir com a reflexão sobre as necessidades da mulher e o fortalecimento de sua saúde física e emocional, vamos desmistificar algumas crenças sobre a pílula anticoncepcional pós parto:

1 – Amamentação é um anticoncepcional natural?

Antes de tudo é preciso levar em conta duas coisas: o que muda no corpo da mulher ao fim de uma gestação, e de que forma a amamentação mexe com o organismo feminino.

Primeiramente vamos falar sobre as mudanças no corpo da mulher que acaba de ganhar bebê. Durante os primeiros 40 dias após o parto, a mulher não ovula. Porém, ao fim desse período, a capacidade reprodutiva é retomada e caso a mulher não deseje uma nova gravidez, será necessário fazer uso de métodos contraceptivos. ²

Mas será que a amamentação não dá conta desse recado? Ela não serve como anticoncepcional natural? Bem, quando o bebê mama várias vezes ao dia, com frequência e muita intensidade de sucção, o organismo da mulher pode não liberar os hormônios necessários para a maturação de um novo óvulo, que permitiria a ovulação e as condições favoráveis para uma gravidez.

Por isso, é verdade que em alguns casos a amamentação pode funcionar como método anticoncepcional, isso normalmente acontece se o bebê estiver em aleitamento materno exclusivo, sem ingerir nenhum outro tipo de alimento ou mamadeira. Acontece que a prolactina, o hormônio responsável pela produção de leite no organismo feminino, inibe a gravidez, mas não se sabe até que ponto.

Por isso, os médicos não indicam a amamentação como anticoncepcional, simplesmente porque este não é um método garantido. Se você não deseja engravidar imediatamente, o melhor a fazer é escolher um anticoncepcional, mesmo que ainda esteja na fase de amamentação. ³

2 – Anticoncepcional durante amamentação faz mal para o bebê?

Aqui é preciso entender de que forma as pílulas anticoncepcionais funcionam. A medicação inibe a ovulação, ou seja, a mulher naturalmente não passa mais pelo período fértil. O anticoncepcional também impede a formação de muco do colo do útero, e isso dificulta a entrada de espermatozoides o útero.

A pílula anticoncepcional durante a amamentação é segura e não faz mal para o bebê. No entanto, é importante que sua fórmula seja composta apenas pelo hormônio progesterona para que isso não altere a produção de leite, que é a principal fonte de nutrição do bebê, falaremos mais sobre isso no próximo tópico.

Por enquanto, é importante lembrar que a função do anticoncepcional é prevenir uma nova gestação. Este tipo de anticoncepcional hormonal tem 98% de eficácia, mas para funcionar como o esperado, precisa ser tomada regularmente, como veremos em breve.

A medicação também não causa infertilidade na mulher, porém, caso haja o desejo de engravidar novamente, é só parar a medicação que a ovulação e o útero retornam a suas funções normais sem prejuízo nenhum. 4

Anticoncepcional durante amamentação

3 – Anticoncepcional seca o leite?

Se a sua intenção é continuar com o aleitamento materno (recomendado pela Organização de Saúde até os 2 anos de idade), basta pedir ao seu médico de confiança a indicação de um anticoncepcional recomendado para tomar durante a amamentação. O ginecologista, clínico geral ou mesmo o pediatra do seu bebê, provavelmente irão fazer a orientação de medicamento levando em conta àqueles que mais se adaptam às necessidades da mulher que amamenta.

Os profissionais irão evitar a prescrição de pílulas que contenham estrogênio, já que esse hormônio, presente na maioria dos anticoncepcionais comuns, pode sim prejudicar a produção do leite materno.

No entanto, hoje já existem pílulas bastante seguras, criadas especialmente para que não interfiram na quantidade e qualidade da amamentação. Os anticoncepcionais a base de progestagênio (um tipo de progesterona sintética) – também conhecido como progestina, são os mais indicados, pois além de não interferirem na produção do leite, são capazes de impedir a ovulação e reduzir a quantidade e a elasticidade do muco cervical (líquido produzido pelo colo do útero) tornando-o pouco útil para conduzir o esperma para dentro do útero.

Também vale lembrar que o que mantém a produção de leite é o ato de sugar do bebê, por isso, enquanto a mulher desejar prosseguir com o aleitamento, é importante dar de mamar ao bebê com a frequência adequada. 5

4 – Anticoncepcional aumenta o apetite?

Na verdade, a amamentação por si só costuma abrir o apetite. Isso acontece porque na fase de aleitamento, o corpo feminino precisa de muita energia para produzir o leite, então é super natural que as mulheres sintam mais sede e mais fome nesse período.

Por outro lado, embora seja raro, a progesterona do comprimido pode aumentar a fome. Mas é importante lembrar que o anticoncepcional durante amamentação, por si só, dificilmente irá contribuir para o ganho de peso. Isso  porque é comum que eles tenham baixa dose de hormônios. É o famoso “anticoncepcional fraquinho”.

Quanto mais moderno o medicamento, menos hormônio ele terá. Por isso é importante consultar o médico, apenas ele poderá indicar um anticoncepcional que se encaixe bem com seu organismo e seu estilo de vida. Isso vai evitar que você administre uma pílula com excesso de hormônios, que por vez, poderá favorecer a retenção de líquidos e o inchaço do corpo.

A boa notícia é que amamentar gasta muitas calorias! Então, se você tem tendência ou medo de ganhar peso, pode ficar um pouco mais aliviada ao saber que o gasto calórico estimado gira entre 700 e 1.000 calorias por dia. Por outro lado, se você gostaria de ganhar peso ou manter o seu peso atual, vale a pena investir num cardápio mais calórico, mas ainda assim saudável e nutritivo. 5

Nós também não podemos esquecer que a alimentação equilibrada e balanceada, além de ser saudável para você e seu bebê, irá evitar o ganho de peso indesejado e diminuir a vontade de comer doces e alimentos ricos em gorduras.

Para ver como transformar seus hábitos alimentares, clique aqui.

qual o melhor horário para tomar o anticoncepcional

5 – Qual o melhor horário para tomar o anticoncepcional durante a amamentação?

Ao optar pela pílula anticoncepcional como forma de evitar uma gravidez, a mulher precisa ter em mente que a regularidade e a rotina são importantes aliados para contribuir com a eficácia do medicamento.

Esquecer de tomar o remédio ou tomá-lo com atraso superior a 12 horas pode comprometer a confiabilidade do método. Como na maioria das vezes os anticoncepcionais tomados durante a amamentação são de baixa dosagem, uma oscilação de horários pode afetar os níveis hormonais no organismo.

Logo, tenha em mente que o anticoncepcional indicado pelo médico é um compromisso muito importante. Como já explicamos, o corpo da mulher passa por muitas mudanças após o parto. Nesse caso, o comprimido anticoncepcional deve ser usado com ainda mais atenção e seriedade. Isso para que não haja uma oscilação ainda maior dos hormônios que já estão um pouco bagunçados por conta da gestação recente.

Para além dessas recomendações, não existe um horário mais indicado para tomar o anticoncepcional, apenas é importante evitar tomar a medicação em jejum. O melhor horário para tomar a pílula vai depender muito da sua rotina. Logo, a recomendação é que ele seja tomado quando achar que é uma hora fácil de lembrar. Por exemplo, se você tem o costume da lanchar sempre no mesmo horário, pode se programar para tomá-lo sempre depois do lanche.

Como na vida de  mãe, a rotina pode ser um tanto imprevisível, pode ser difícil conseguir manter um horário fixo, mas algumas estratégias podem ajudar:

Dicas para não esquecer de tomar o anticoncepcional

  • Escolha um horário em que você já está habituada a fazer alguma outra atividade, assim você relaciona aquela situação ao horário de tomar o medicamento;
  • Coloque alarmes no seu celular. Se estiver ocupada, não desative o alarme, simplesmente, coloque-o em modo soneca e só desligue o alarme depois de tomar o anticoncepcional;
  • Guarde o comprimido na bolsa, assim, caso você esteja fora de casa, não corre o risco de perder o horário de tomar o anticoncepcional.

Agora que você já sabe tudo sobre o uso do anticoncepcional durante a amamentação, lembre-se de seguir essas dicas na hora de usar o método.

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Colaborou com esse artigo:
Dra. Karen Rocha De Pauw
Ginecologista – CRM-SP 106923
Site: www.doutorakaren.com


Referências bibliográficas e datas de acesso

1 – Ministério da Saúde – 23/01/2020

2 – CordVida – 23/01/2020

3 – Tua Saúde – 24/01/2020

4 – Trocando Fraldas – 24/01/2020

5 – Clue – 25/01/2020

6 – M de Mulher – 25/01/2020

7 – Só delas – 26/01/2020