Sintomas de esquizofrenia e 5 tipos que deixaram de existir

O que é esquizofrenia

Se você já é leitor do nosso blog, sabe que estamos participando da campanha janeiro branco, não é? Por isso dedicamos boa parte do nosso conteúdo para falar sobre saúde mental e as patologias associadas ao tema. Se você é novo por aqui, seja bem-vindo! Hoje falaremos sobre os sintomas de esquizofrenia, as opções de tratamento, e também vamos entender melhor a manifestação da doença, que até 2013 era classificada em tipos.

Vamos começar com a definição:

O que é esquizofrenia

Esquizofrenia é uma doença que afeta a capacidade de uma pessoa distinguir o real do imaginário. Por causa disso, ela pode vivenciar mudanças na sua forma de pensar e sentir, o que prejudica suas relações afetivas e seu desempenho profissional e social. ¹

Nas manifestações mais graves dos sintomas de esquizofrenia é comum que haja alucinações, delírios, confusão mental e perturbações psíquicas, as chamadas psicoses. O indivíduo pode ter a sensação de que seus pensamentos não lhe pertencem, que há algo ou alguém controlando sua mente.

O tipo e intensidade dos sintomas podem variar muito, mas eles costumam aumentar conforme a doença avança. Isso acontece especialmente quando não há tratamento adequado. No começo, por exemplo, a pessoa ainda pode apresentar algumas dúvidas em relação aos seus delírios, mas com o passar do tempo ela se convence totalmente e mesmo o argumento mais lógico não faz sentido para ela. ²

Por tudo isso, a esquizofrenia é uma doença que traz muito sofrimento para a pessoa, sua família e amigos. O paciente vai perdendo a vontade de realizar atividades do dia a dia e tem dificuldade de expressar os sentimentos e emoções, dando a impressão de que perdeu essa capacidade.

Diferente do que a maioria imagina, os sintomas de esquizofrenia não acompanham a pessoa o tempo todo, eles aparecem em crises agudas, seguidas de períodos sem qualquer alteração de comportamento. A enfermidade não tem cura: é um transtorno mental crônico, mas que pode e deve ser tratado. Quanto antes for iniciado o tratamento melhor será sua qualidade de vida, mas frequentemente é necessário que o acompanhamento se dê para toda a vida. 1,2

Nossos monstros internos e a saúde mental

Sintomas de esquizofrenia: Diferença entre psicose, delírios e alucinações

Três palavrinhas que você irá encontrar muitas vezes durante essa leitura: psicose, delírios e alucinações. Isso porque o trio protagoniza a maioria dos sintomas de esquizofrenia. Por isso, achamos importante esclarecer o que cada um desses termos significa. Entenda:

Psicose

O termo psicose define o comprometimento do funcionamento mental padrão, onde o indivíduo perde a capacidade de discernir o que é real do que é imaginário. Ela se manifesta por meio dos delírios, alucinações, confusão e comprometimento da memória. Outros dois significados foram atribuídos ao termo com o passar dos anos. Na utilização psiquiátrica mais comum do termo, “psicótico” pode significar também um comprometimento grave do funcionamento social e pessoal, caracterizado por afastamento social e incapacidade para desempenhar as tarefas e papéis habituais.

A questão do “nome” é um pouco

controversa, mesmo entre os profissionais da área da saúde, mas é importante dizer que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) não reconhece a psicose como uma doença isolada, portanto, sob esse ponto de vista, a psicose faz parte da esquizofrenia. Todos os sintomas de psicose que aparecem em indivíduos que não cumprem os critérios para o diagnóstico da esquizofrenia, são denominados de “transtornos psicóticos”. 3,4

sintomas de esquizofrenia- psicose, alucinações, delírios

Delírios

Os delírios são uma forma de manifestação das psicoses que acompanham a esquizofrenia. A pessoa pode acreditar  que tem poderes especiais, pode sentir que tudo que acontece externamente é criado com o único intuito de incomodá-la ou controlá-la. Por exemplo, ao ouvir uma música, ou ver um programa de televisão ela pode achar que tudo que se passa ali é uma mensagem para ela.

A sensação de que não controla a própria mente e falsa ideia de perseguição estão entre os principais tipos de delírios. Eles causam sentimentos de medo e desconfiança constante, são angustiantes e trazem muito sofrimento para o indivíduo, ao mesmo tempo em que prejudicam a sua capacidade de confiar nas pessoas (até mesmo nas mais íntimas), ter relacionamentos profissionais e sociais saudáveis e fazer novas amizades. 3,5

Alucinações

As alucinações têm a ver com as alterações sensoriais e a capacidade de perceber a realidade como ela é. O indivíduo ouve vozes, vê coisas que não existem, sente cheiros esquisitos e pode ter sensações tácteis desagradáveis. São percepções que acontecem na ausência de um estímulo externo, mas com as qualidades de uma verdadeira percepção de coisas que não estão realmente ali.

Existem alucinações ser auditivas, visuais, táteis, olfativas, gustativas ou uma combinação de todas. As auditivas são as mais comuns e podem ocorrer na forma de barulhos, músicas ou mais frequentemente como vozes. Estas vozes podem ser sussurradas, ou claras e distintas, podem falar entre si ou ser uma única voz. Podem comentar o comportamento da pessoa e às vezes podem dar ordens. As alucinações visuais levam a ver distorções de imagens ou aparecimento de pessoas e coisas que só ela vê, podendo estabelecer contato e diálogo com essas pessoas e coisas inexistentes. Além disso uma pessoa com esquizofrenia pode sentir cheiros ou gostos ruins ou ter a sensação de ser tocado ou picado, como se insetos estivessem rastejando sobre a pele. ¹

Sinais positivos

Sintomas positivos de Esquizofrenia 6

Os sintomas de esquizofrenia se dividem em 2 categorias: sintomas negativos, que refletem uma perda ou diminuição das funções normais, e sintomas positivos, que, ao contrário do que possa parecer, não são bons ou desejáveis, apenas são chamados assim porque acrescentam ou adicionam algo nas funções do indivíduo.

Alucinações: Como explicamos agora a pouco, estes sintomas de esquizofrenia fazem com que as pessoas ouçam, vejam ou sintam coisas que ninguém mais está percebendo. Os sintomas auditivos são mais comuns. As vozes em suas cabeças podem lhes dizer o que fazer, ou dizer coisas ruins. Essas vozes também podem falar umas com as outras.

Delírios: São as crenças que parecem estranhas para a maioria das pessoas, mas que os esquizofrênicos não conseguem perceber. Elas podem achar que alguém está tentando controlar seus cérebros através de suas TVs ou que a polícia está lá fora para pegá-las. A pessoa com esquizofrenia pode ter delírios de grandeza, acreditando que é outra pessoa ou que têm superpoderes.

Pensamentos e fala confusos: Pessoas com esquizofrenia podem ter dificuldade em organizar seus pensamentos. Elas podem não ser capazes de acompanhar um diálogo e parecerem distraídas. Quando elas falam, suas palavras podem sair confusas, sem muita coerência ou mesmo não fazer qualquer sentido. Elas também podem ter problemas de concentração, como por exemplo, não serem capazes de acompanhar uma história ou perder a noção do que está acontecendo em um programa de TV que estão assistindo.

Movimentos diferentes: São os sintomas de esquizofrenia que acometem o corpo. Seja pela postura ou por movimentos repetitivos que fazem com que as pessoas pareçam nervosas ou ansiosas. Entretanto, em outros momentos pode ser que elas fiquem perfeitamente imóveis e “esticadas” por horas: a chamada catatonia. Diferente do que se possa pensar, as pessoas com esquizofrenia geralmente não são violentas.

isolamento e solidão da esquizofrenia

Sintomas negativos de Esquizofrenia 6

Os sintomas negativos de esquizofrenia incluem principalmente a falta de interesse em realizar as atividades que eram desempenhadas sem maiores problemas. Estes sintomas podem ser difíceis de detectar, especialmente pessoas com quadro anterior de depressão, pois estes são sinais que já estavam estabelecidos. Os adolescentes também passam por esse desafio, já que é natural que eles tenham grandes oscilações emocionais.

Emoção: Uma pessoa com esquizofrenia pode parecer que tem um problema na fala. Ela pode não ser muito averta ao diálogo e ter dificuldades em demonstrar seus sentimentos, em grande parte por conta da desmotivação ou desconfiança que sentem. Quando falam, a voz pode soar plana, como se não tivesse emoções. Os médicos chamam isso de “afeto plano“.

Retirada: Alguém que tem esquizofrenia pode parar de fazer planos com você ou se tornar bastante isolada. E pode ser um grande desafio conseguir respostas até para situações simples do dia-a-dia.

Resistência: Falta de interesse nas questões de autocuidado também são sintomas de esquizofrenia. As pessoas podem parar de tomar banho, escovar os cabelos e os dentes.

Sem manutenção de ação: As pessoas com esquizofrenia têm dificuldade para ficar dentro do cronograma ou terminar o uma atividade que começaram.

Sinais negativos

Não existem mais tipos de esquizofrenia?

Já comentamos que o DSM-5 redefiniu o conceito de psicose. Outra importante mudança trazida pelo manual foi o abandono da divisão da esquizofrenia em subtipos, anteriormente classificados como:

Esquizofrenia paranóide

Com predomínio de alucinações e delírios.

Esquizofrenia desorganizada

Também conhecida como hebefrênica, com predominante pensamento e discurso desconexo.

Esquizofrenia catatônica

Onde o paciente apresenta mais alterações posturais, com posições bizarras mantidas por longos períodos e resistência passiva e ativa a tentativas de mudar a posição do indivíduo.

Esquizofrenia residual

Quando os sintomas de esquizofrenia permaneciam de maneira discreta após a remissão do transtorno. Como se de um quadro inicial restasse uma espécie de quadro tardio, nesse caso os sintomas negativos eram predominantes.

Esquizofrenia indiferenciada

Era atribuída à pacientes que não se enquadravam perfeitamente em um dos tipos de esquizofrenia estabelecidos, no entanto, apresentavam alguns ou uma soma dos sintomas característicos das manifestações da doença.

A justificativa para a retirada dos tipos de esquizofrenia como maneira de classificar o transtorno é porque era comum os quadros em que os sintomas dos subtipos apareciam associados ou se alternavam ao longo da vida. Isso demonstrava pouca validade científica na separação e não refletia diferenças quanto ao curso da doença ou resposta ao tratamento.

Além disso, a alteração também levou em conta que muitos estudos não observaram diferenças na evolução e no tratamento dos subtipos.

Essa decisão gerou grande polêmica na comunidade médica e científica, dividindo a opinião de especialistas. O texto recebeu críticas de profissionais renomados como é o caso do psiquiatra americano Allen Frances que coordenou a elaboração do DSM-4.

Os autores que contestam a retirada desta divisão alegam que há sim pesquisas que mostram várias distinções entre os subgrupos. Eles também defendem que possivelmente, com o refinamento da tecnologia dos estudos, as diferenças entre seus sintomas se tornariam mais claras e fáceis de identificar.

Por outro lado, os autores da atual versão apontam que as modificações realizadas foram baseadas na melhor evidência científica disponível. Eles também esclarecem que os critérios diagnósticos foram exaustivamente avaliados em estudos de campo com o objetivo de verificar a utilidade, validade e confiabilidade de cada um deles, assim como sintomas de esquizofrenia que provocavam dúvidas foram trabalhados de forma mais precisa. 8,9

Diagnóstico de transtornos mentais

Diagnóstico da esquizofrenia 1

Não existe um exame que seja capaz de identificar a esquizofrenia. Por isso o diagnóstico permanece inteiramente dependente da avaliação clínica do médico. Ele faz uma investigação psiquiátrica cuidadosa com o paciente e seus familiares.

Como os sintomas de esquizofrenia podem variar e serem confundidos com outros transtornos mentais e distúrbios psicóticos, os médicos se baseiam nos critérios estabelecidos pela CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) da Organização Mundial da Saúde e no DSM-5, que já citamos por aqui.

O diagnóstico da esquizofrenia pode levar algum tempo para ser efetuado. É preciso que o médico descartes outros possíveis transtornos ou doenças de base orgânica. Outras causas possíveis para os sintomas apresentados devem ser investigadas antes de fechar o diagnóstico.

Tratamento da esquizofrenia

O tratamento da esquizofrenia idealmente deve envolver vários profissionais trabalhando em equipe. É muito importante assegurar que o paciente faça o tratamento. Muitos pacientes abandonam o tratamento devido às ideias de perseguição, à falta de consciência sobre a doença e ao desconforto com os efeitos colaterais das medicações.

Outro fator que contribui para o abandono do tratamento é a desesperança, a vergonha e o preconceito decorrentes do estigma associado à doença. A medicação é o alicerce principal do tratamento da esquizofrenia. Os remédios ajudam a controlar e a prevenir recaídas. A medicação prescrita atua nos sintomas, pois a esquizofrenia ainda não tem cura.

Embora ainda não haja cura para esquizofrenia, o tratamento é bastante promissor. Quando o paciente recebe o tratamento adequado, as crises tendem a se tornar mais suaves, mais curtas e as fases sem manifestação de sintomas duram mais tempo. Muitas vezes o paciente leva anos até que surja outra crise, período em que consegue assumir novamente o controle de sua vida. 2

Por isso se você identificou alguns dos sintomas descritos neste texto, seja em si mesmo, ou em alguém próximo, não procure orientação médica.


Colaborou neste artigo:
Dr. Michel Haddad
CRM-SP 145096 / Especialidade: Psiquiatria


Referências bibliográficas e datas de acesso

1 –  Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Pessoas com Esquizofrenia (ABRE) – acesso em 16/02/2019

2 – Hospital Nove de Julho – acesso em 16/12/2019

3 – Psiquiatria geral  – acesso em 16/12/2019

4 – Scielo  – acesso em 16/12/2019

5 – Minha Vida – acesso em 16/12/2019

6 – Psicoativo – acesso em 17/02/2019

7 – CUF – acesso em 17/02/2019

8 – Pepsic – acesso em 17/02/2019

9 – Minha Vida – acesso em 17/02/2019