Climatério: sintomas do período que anuncia a menopausa

Fase que anuncia a menopausa, o climatério apresenta sintomas de intensidade variável

Todas as mulheres chegarão ao momento em que a produção de hormônios diminui drasticamente, isso é uma fase natural da vida. É quando aparecem, por exemplo, os sintomas como oscilação de humor, e o conhecido calorão. Ao contrário do que se pode pensar, isso ainda não é menopausa. O termo correto é climatério, e é ele que provoca os famosos sintomas de intensidade variável. No texto de hoje vamos esclarecer essa fase, falar de sintomas e como aliviá-los.

Climatério x Menopausa, qual a diferença? ¹

Evento inevitável, a menopausa é um momento marcante na vida das mulheres, que ocorre devido à queda progressiva das concentrações de estrogênio e progesterona, ao esgotamento dos óvulos e o consequente fim dos ciclos ovulatórios. Essa fase caracteriza a transição entre a idade fértil e o fim da capacidade reprodutiva.

É comum a confusão entre os termos menopausa e climatério, mas para resolver de vez essa questão, vale lembrar que menopausa é o nome dado à última menstruação. Sendo, portanto, um evento pontual.

o climatério é período pré e pós-menopausa, é nele que aparecem os sintomas devido a progressiva redução na produção de estrogênio. Assim, o climatério é o período em que se inicia a transição entre a fase reprodutiva e não-reprodutiva da mulher.

Portanto, não é tecnicamente correto dizer que uma mulher está na menopausa. O certo é dizer que a mulher teve, ou está próxima de sua menopausa e por isso, encontra-se no climatério.

Quando começa o climatério?

O climatério não tem uma “data específica”, por assim dizer, para começar. Podendo, então, iniciar em diferentes idades, sendo mais frequente por volta dos 40 anos. A mulher entra oficialmente na fase pós-menopausa quando completa 12 meses consecutivos após sua última menstruação (menopausa), o que acontece normalmente por volta dos 50 anos.

Como saber se a mulher entrou oficialmente no climatério?

Como saber se a mulher entrou oficialmente no climatério?

A transição entre o período fértil e a perda da capacidade reprodutiva é considerada natural e gradual, por isso é preciso fazer uma avaliação geral do histórico da mulher para determinar se ela entrou de fato no climatério. Nessa avaliação incluem-se a idade, o histórico menstrual e quais são os sintomas ou mudanças no corpo apresentados pela mulher.

Fases do climatério ²

Ainda que seja comum vermos o uso do termo menopausa para identificar a finalização das menstruações, clinicamente o termo  significa apenas o último sangramento menstrual. As fases que envolvem os sintomas ou a transição para a menopausa são divididas em: pré-menopausa, perimenopausa, menopausa e pós-menopausa. Acompanhe o texto para entender melhor cada fase:

Pré-menopausa

O fator idade ainda é utilizado como parâmetro, mas existem muitas variações. Assim, há mulheres que entram na fase de pré-menopausa ainda na casa dos 30 anos, enquanto outras chegam lá já próximo aos 60 anos (menopausa tardia). Mas, em geral, a última menstruação acontece entre os 45-55 anos.

Na pré-menopausa há a queda da fertilidade feminina.

Nesse período as taxas de estrogênio e progesterona apresentam uma leve queda e há a diminuição da fertilidade, que pode reduzir para 20% após a faixa de idade entre 35 e 40 anos. ²

Perimenopausa ³

Analisando o nome menos conhecido perimenopausa, logo no início dele peri (que significa no entorno) vemos que esse é o período já mais próximo da menopausa. Portanto, a perimenopausa, é quando surgem os sintomas mais conhecidos dessa transformação na vida da mulher. Vamos ver que sintomas são esses?

Sintomas que podem surgir na perimenopausa: 1, 3

  • Fogachos ou ondas de calor
  • Suores noturnos
  • Distúrbios do sono
  • Menstruação irregular
  • Variações súbitas de humor
  • Secura vaginal e queda da libido
  • Dificuldade de concentração
  • Problemas dermatológicos como, por exemplo, pele seca e queda de cabelo
  • Dores de cabeça, nas articulações e nas mamas
  • Aumento de peso
  • Sensação de cansaço
  • Palpitações
  • Aumento na ocorrência de infecções urinárias
  • Aparecimento de pelos faciais
  • Enfraquecimento ósseo
  • Sensação de barriga inchada
  • Depressão

Para a maioria das mulheres, a perimenopausa começa cerca de dois anos antes da última menstruação e se estende por um ano após ela. Contudo, vale ressaltar que cada organismo é único e que há manifestações diversas, incluindo mulheres que não percebem nenhum sintoma.

Menopausa

É, de fato, a última menstruação. Sendo, portanto, um evento bastante pontual. No entanto, apenas após um ano é possível determinar que o sangramento foi a menopausa.

A menopausa é um evento cronológico, portanto, um acontecimento pontual.

Em termos médicos, a menopausa natural é caracterizada por ausência de menstruação por 12 meses em mulheres acima dos 45 anos, com taxas hormonais do hormônio folículo estimulante elevadas e estrogênio gradualmente menores. Em relação ao estrogênio, como a redução da taxa hormonal é gradual e nem sempre regular, desta forma, pode demorar alguns meses para demonstrar taxas constantemente baixas.4

Pós-menopausa

A pós-menopausa é compreendida como o período que se estende desde a última menstruação até os 65 anos, quando a mulher atinge a terceira idade. Vale lembrar que o primeiro ano após a última menstruação ainda é compreendido como climatério.

No entanto, após a menopausa, por aproximadamente um ano, a mulher se encontra ainda no climatério, já que nesse período as fases ocorrem juntas. É justamente nesse momento que manifestações tardias e aquelas relacionadas ao processo de envelhecimento podem surgir, por exemplo:

  • Perda da elasticidade e da resistência da pele
  • Secura vaginal, infecções, irritação e dificuldade de lubrificação
  • Surgimento de disfunções urinárias, como cistite e incontinência urinária
  • Aumento do risco das doenças de Alzheimer e Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Dificuldade de concentração e redução da memória
  • Maior do risco de ataque cardíaco
  • Maiores riscos de desenvolver osteoporose

Climatério: tratamento dos sintomas

A reposição hormonal segue como um dos principais tratamentos para os sintomas do climatério. Contudo, essa opção deve ser avaliada e discutida pela mulher e seu ginecologista de confiança. A automedicação nunca é indicada. Além disso, em alguns casos o médico pode indicar o uso de cremes vaginais, por exemplo, para alívio da secura e desconforto na região íntima.

Todos os sintomas do climatério têm tratamento medicamentoso e não medicamentoso

Como vimos, o climatério é algo natural e faz parte do processo de envelhecimento da mulher. Assim, optar por um estilo de vida mais saudável é importante não somente para prevenir e tratar os sintomas, mas para cuidar do bem-estar em geral.

Além disso, é possível adotar outras medidas para melhorar a qualidade de vida, aliviando os sintomas, como:

Dicas sem contraindicações para alívio dos sintomas do climatério 5

  • Dieta saudável – evita as doenças cardiovasculares e osteoporose. Manter uma alimentação saudável é muito importante nessa etapa da vida da mulher. Adote uma dieta rica em fibras, legumes, vegetais, frutas, cálcio e pobre em gordura, carne vermelha e carboidratos.
  • Evite o tabagismo, a cafeína e bebidas alcoólicas.
  • Vitamina D – exponha-se ao sol ao menos 3 vezes por semana por pelo menos 15 minutos, no horário das 10h às 16 para estimular a produção de vitamina D. Essa vitamina também ajuda no tratamento e prevenção da osteoporose e é possível que o médico recomende suplemento de cálcio e vitamina D.
  • Praticar exercícios físicos – ajuda a prevenir o ganho de peso, melhora a qualidade do sono, eleva o humor e  melhorar a densidade óssea, evitando fraturas. O ideal é manter uma programação de pelo menos 30 minutos de exercícios por dia, e, se possível, com acompanhamento profissional de educação física. Caso não seja possível, invista em exercícios físicos aeróbicos e de baixo impacto, como a caminhada, por exemplo.
  • Desconforto vaginal – mulheres com secura vaginal podem utilizar lubrificantes à base de água apropriados para aliviar o desconforto durante as relações sexuais. Manter uma vida sexual ativa ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo para a vagina.
  • Higiene do sono – procure manter uma rotina consistente para uma boa noite de sono, isso envolve ter horário regular para acordar e dormir. Evite cafeína, álcool e alimentos de digestão lenta, como os carboidratos, antes de dormir.
  • Praticar técnicas de relaxamentoioga, meditação ou outras técnicas para auxiliar na diminuição do estresse e da ansiedade.
  • Sensação de calor – dê preferência ao uso de roupas de tecidos leves e naturais, por exemplo, pois elas auxiliam na evaporação do suor. Dê preferência a locais frescos e arejados, faça uso de ventiladores e ar-condicionado para mais conforto térmico ao ambiente.

Enfrente essa fase com disposição

Se você ainda não chegou ao climatério, invista em se informar, conheça mais sobre o tema, se prepare. Caso já tenha entrado nessa fase e esteja passando por dificuldade e desconfortos que prejudiquem o seu dia a dia, procure seu ginecologista.

O médico poderá verificar a necessidade de ajustes no tratamento ou mesmo avaliar outras opções. Mantenha uma rotina de autocuidado com a saúde que inclua a visita periódica ao ginecologista. Você também pode investir no acompanhamento terapêutico de um psicólogo, caso sinta necessidade.

É importante que a mulher enfrente essa fase de sua vida com muito acolhimento, além disso, é preciso lembrar que o climatério e mesmo a menopausa não são sinônimos de doença. Apesar dos incômodos gerados, é uma fase natural da vida da mulher e deve ser encarada de maneira positiva, tanto por ela, como também pelo seu parceiro e demais pessoas da rede de apoio, como familiares e amigos.

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Colaborou com esse artigo:

Dra. Karen Rocha De Pauw
Ginecologista – CRM-SP 106923
Site: www.doutorakaren.com


Referências bibliográficas e datas de acesso

1 – MD.Saúde – 26/04/2020

2 – Minuto saudável – 26/04/2020

3 – Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde – 26/04/2020

4 – Revista Brasileira de análises Clínicas – 29/04/2020

5 – Viva Bem | UOL – 29/04/2020